Brasília — Wellton Máximo. Publicado em 06/10/2026 – 20:06.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) reavaliou para baixo a previsão do superávit da balança comercial de 2026, passando de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões. A principal causa apontada pelo governo foi a redução nas projeções do preço do petróleo.
Motivo da revisão
Segundo o MDIC, a estimativa foi afetada pelo recuo na cotação do petróleo após o pico de US$ 138 por barril em abril, registrado na esteira da entrada dos Estados Unidos no conflito com o Irã. Nas últimas semanas, o Brent — referência internacional — tem ficado próximo de US$ 100 por barril, o que impacta tanto as receitas de venda de petróleo bruto quanto os gastos com derivados importados.
Principais números da nova previsão
- Exportações: US$ 382,5 bilhões (ante US$ 394,4 bilhões projetados anteriormente);
- Importações: US$ 298,1 bilhões (ante US$ 304,4 bilhões);
- Superávit comercial: US$ 84,4 bilhões (ante US$ 90 bilhões).
Com a revisão, a projeção de vendas externas caiu US$ 11,9 bilhões e a previsão de compras externas foi reduzida em US$ 6,3 bilhões. Ainda assim, as exportações previstas para 2026 representam alta de 9,8% sobre 2025, enquanto as importações deverão avançar 6,4%.
Contexto histórico e necessidade para o fechamento do ano
Se confirmada, a estimativa de US$ 84,4 bilhões seria o segundo maior superávit da série histórica, atrás apenas dos US$ 98,9 bilhões registrados em 2023. Em 2025, o país terminou o ano com saldo positivo de US$ 68,1 bilhões.
Esta é a segunda revisão do MDIC no ano: a previsão inicial era de US$ 72,1 bilhões, que em julho foi elevada para US$ 90 bilhões antes da redução atual. Para atingir o novo montante projetado, o Brasil precisa registrar um superávit de cerca de US$ 22 bilhões entre outubro e dezembro — valor próximo aos US$ 21,8 bilhões apurados no último trimestre de 2025.
“Estamos prevendo três meses à frente. Então, é natural que esses números se aproximem e tenhamos já um cenário bastante consolidado para o que vai ser o fechamento do ano”, declarou Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC.
Desempenho em setembro
A balança comercial apresentou superávit de US$ 7,74 bilhões em setembro, mais que o dobro do saldo de US$ 3,14 bilhões registrado em igual mês de 2025 — alta de 146,4%. Foi o maior resultado mensal desde junho, quando o excedente chegou a US$ 9 bilhões.
Em setembro, as exportações somaram US$ 34,42 bilhões, avanço de 12,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto as importações totalizaram US$ 26,68 bilhões, recuo de 2,4%.
O crescimento das vendas externas em setembro foi puxado principalmente pela elevação dos preços dos produtos exportados (média de +9,9%), enquanto o volume embarcado cresceu 2,3%. Considerando que setembro teve 21 dias úteis — um a menos que em 2025 —, a média diária das exportações avançou 18,3%.
Petróleo como protagonismo nas vendas
O petróleo bruto foi um dos itens que mais contribuiram para o desempenho das exportações no mês: as vendas do produto somaram US$ 6,49 bilhões, alta de 77,3% frente a setembro do ano passado.
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via Agência Brasil