Elas em campo: reportagem revisita história, obstáculos e futuro do futebol feminino; exibição nesta segunda, 5/10, às 23h

Elas em campo: reportagem revisita história, obstáculos e futuro do futebol feminino; exibição nesta segunda, 5/10, às 23h

Ultimas Notícias

Em menos de um ano, em junho de 2027, o Brasil receberá a primeira edição de uma Copa do Mundo Feminina realizada na América do Sul: oito cidades brasileiras sediarão partidas da competição que reunirá 32 seleções. A proximidade do evento reacende o debate sobre o desenvolvimento do futebol feminino no país e os entraves que ainda persistem.

O quadro de transformações é evidente. Se a geração de atletas pioneiras que vestiu a seleção brasileira chegou a atuar sem salário, contando apenas com ajuda de custo, hoje existem campeonatos nacionais e torneios internacionais, além de categorias de base. Essa estrutura ampliada criou uma cadeia profissional que envolve jogadoras, treinadoras, gestoras, árbitras e demais profissionais dentro e fora das quatro linhas.

Mesmo assim, o machismo e o preconceito continuam presentes. Competições de várzea femininas e espaços de formação exclusivos para meninas ainda são exceções, surgindo muitas vezes por iniciativas locais e pontuais.

Na semana em que se consagra mais uma campeã do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, com grandes torcidas lotando estádios, é importante lembrar que, entre a década de 1940 e meados da década de 1980, mulheres foram legalmente impedidas de praticar futebol no país, sob a justificativa de que a atividade prejudicaria sua saúde física.

Hoje, apesar de resistências — inclusive no âmbito familiar e social — há meninas e jovens que sonham em seguir carreira no esporte ou simplesmente desejam jogar por prazer. Também é possível reconhecer e reverenciar as pioneiras que abriram caminho e atuam até hoje pela modalidade, muitas vezes permanecendo envolvidas mesmo após encerrarem a trajetória como atletas.

Márcia Honório, integrante daquela primeira seleção brasileira em Copas do Mundo, falou sobre o impacto emocional de ser convocada:

“Quando você pega um telegrama daquele e se vê convocada, e quando está fora do seu país e ouve o Hino Nacional, é emocionante até hoje. A gente gostava e tinha garra, uma vontade de querer ganhar para chegar ao país e falar assim: ‘ó, agora vocês precisam ajudar o futebol feminino'”.

O programa conversou com especialistas, atletas e ex-atletas, gestoras, jogadoras de várzea, empreendedoras e meninas que vivem e incentivam o futebol feminino. O relato coletivo traça um panorama dos avanços já conquistados e dos desafios que permanecem, além de projetar as expectativas para as próximas gerações.

A meio-campista histórica Formiga, recordista em participações por anos e em Copas do Mundo, refletiu sobre pertencimento e identidade ao entrar no esporte:

“Eu passei de Miraíldes, a Mira, da família e dos amigos, para Formiga. E só aí vim entender que não só a Miraíldes jogava futebol, existiam outras mulheres que também passaram o mesmo ou pior, que eu não era a única mulher estranha no mundo. Até então eu me achava um ser humano estranho, por ser a única menina ali que jogava realmente futebol no meio dos meninos”.

A jornalista Milly Lacombe destacou a dimensão coletiva da conquista: “Eu acho que a principal mudança é a ideia de que juntas, conseguimos coisas, sozinha ninguém consegue nada. Então, a ideia de que a luta pela emancipação feminina não se separa da luta pelo futebol feminino. Eu diria que essa consciência de que a gente é classe, é um grupo, de que vamos juntas. Eu acho isso muito bonito no futebol feminino, que tem uma história de amor que o masculino não tem”.

Lu Leal, treinadora de equipes de várzea, afirmou sua expectativa para as jovens atletas: “Meu maior sonho é ver as atletas que estão batalhando alcançar o objetivo chegar, ganhar e ter oportunidades. É o que elas merecem.”

O episódio “Elas em campo: futebol, paixão e resiliência” será exibido nesta segunda-feira, 5 de outubro de 2026, às 23h, em emissora de televisão aberta. A reportagem também anunciou que o tema será retomado no mês seguinte em um novo episódio, com foco nas condições de trabalho e nas possibilidades de carreira para quem pretende seguir profissionalmente no futebol.

Leia também: Anvisa publica lista com 7 categorias de cosméticos que poderão ser produzidos de forma artesanal

via Agência Brasil

1 thought on “Elas em campo: reportagem revisita história, obstáculos e futuro do futebol feminino; exibição nesta segunda, 5/10, às 23h”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *