Por Paula Laboissière — Brasília, 07/10/2026
Com o aumento de casos de sarampo nos Estados Unidos e em outros países das Américas, o Ministério da Saúde intensificou o monitoramento do risco de entrada e disseminação do vírus no Brasil e ampliou ações de resposta nas áreas afetadas.
Panorama internacional
Segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá concentram mais de 95% dos casos confirmados na região ao longo de 2026. Os Estados Unidos registraram o maior número anual de casos em mais de 35 anos, e mais de 90% das pessoas infectadas são não vacinadas ou têm situação vacinal desconhecida.
Situação no Brasil
Até 5 de outubro de 2026, o país notificou 52 casos importados de sarampo: 41 em São Paulo, 10 no Amazonas e um no Rio de Janeiro. Apesar desses registros, o Ministério da Saúde informa que o Brasil permanece classificado como livre de circulação endêmica do sarampo.
As medidas adotadas para conter possíveis surtos incluem busca ativa de casos, investigação epidemiológica, monitoramento de contatos e bloqueio vacinal em áreas com notificações. A vacinação foi intensificada em espaços públicos e locais de grande circulação.
Linha do tempo e cobertura vacinal
- 2019: o país registrou mais de 20 mil casos e, após mais de 12 meses de transmissão sustentada, perdeu a certificação de eliminação.
- Novembro de 2024: a Opas recertificou o Brasil como livre de circulação endêmica do sarampo.
- 2023–2025: foram confirmados 85 casos no período, sem óbitos.
- Desde 2023: aumentou a cobertura das 16 vacinas do calendário infantil e caiu 86% o número de crianças não vacinadas, segundo OMS e UNICEF.
- 2025: cobertura da primeira dose da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) alcançou 93,10% no país — 94,39% em São Paulo e 89,54% no Amazonas, conforme dados do Ministério da Saúde.
Mobilizações e estratégias de vigilância
Em 2026 foram realizadas quatro grandes mobilizações de vacinação: mais de 3,8 milhões de doses aplicadas em São Paulo e cerca de 192 mil doses no Amazonas. Nos municípios paulistas, a resposta incluiu ações em capital e municípios da grande São Paulo, com busca ativa, investigação de casos e bloqueio vacinal.
A estratégia também prevê a administração da chamada “dose zero” para crianças de 6 meses até 11 meses e 29 dias — dose adicional às rotineiras, previstas aos 12 e 15 meses — para conferir proteção temporária em situações de risco epidemiológico.
Na região de tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, a vigilância e a resposta foram intensificadas após confirmação de casos importados, com apoio de equipes federais para vacinação, investigação, coleta de amostras e acompanhamento de contatos.
Reforço à população
O Ministério da Saúde lembra que a vacinação é a principal medida de prevenção e está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). Pessoas com doses em atraso devem procurar unidades de saúde para atualizar a caderneta de acordo com as recomendações do Programa Nacional de Imunizações.
Segundo a pasta, manter altas coberturas vacinais e vigilância ativa é essencial para evitar que casos importados voltem a gerar transmissão sustentada do vírus no território nacional.
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via Agência Brasil
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