Recorde de mulheres no Congresso em 2026: 109 deputadas e 12 senadoras eleitas, avanço ainda desigual

Recorde de mulheres no Congresso em 2026: 109 deputadas e 12 senadoras eleitas, avanço ainda desigual

política

Brasília — 05/10/2026. Por Iara Balduino.

A composição do Congresso Nacional eleito em 2026 terá a maior bancada feminina já registrada. Na Câmara dos Deputados, o número de parlamentares mulheres subiu de 90 para 109, um aumento de 21% em relação à legislatura anterior.

Esse crescimento ocorreu mesmo com uma queda no total de candidatas: enquanto 3.317 mulheres disputaram vagas para deputada federal em 2022, em 2026 foram registradas 2.820 candidaturas — redução de 24%.

No Senado Federal, 12 das 54 cadeiras em disputa foram conquistadas por mulheres, o maior número desde a redemocratização. Com esses resultados, a quantidade de senadoras passará de 15 para 18 no início do próximo mandato.

Longe da equidade

Apesar dos números recordes, as mulheres continuam em minoria nas duas Casas. Na Câmara, as 109 deputadas representarão 21% dos 513 mandatos. No Senado, as 18 senadoras equivalerão a 22,2% das 81 cadeiras.

A federação formada por PT, PCdoB e PV foi a que elegeu o maior conjunto de parlamentares mulheres: 34 das 109 deputadas.

Os senadores têm mandato de oito anos e a Casa é renovada alternadamente por um terço ou dois terços a cada quatro anos; as eleitas em 2026 tomarão posse em fevereiro e cumprirão mandatos até 2035.

Entre as unidades da Federação, o Distrito Federal elegeu duas mulheres nas eleições deste ano e, somadas à representação já existente, passa a ser a única unidade com três senadoras mulheres. O Piauí permanece como o único estado que nunca teve uma mulher eleita para o Senado.

Pautas para mulheres nem sempre garantidas

Especialistas apontam que o aumento no número de mulheres no Parlamento não assegura automaticamente avanços em políticas de gênero. A professora de Ciência Política da Universidade de Brasília, Flávia Biroli, destaca que o crescimento da bancada traz maior diversidade ideológica entre as mulheres eleitas, o que pode incluir posições contrárias a agendas igualitárias.

“O aumento da presença feminina amplia também a pluralidade de visões: algumas parlamentares podem adotar posturas que não favorecem a maior parte das mulheres. Há casos de mulheres que votaram contra medidas de igualdade salarial, por exemplo.” — Flávia Biroli, professora de Ciência Política, UnB.

Avanço entre mulheres negras — com limites

Na Câmara dos Deputados houve crescimento no número de mulheres negras eleitas. Levantamento da organização Mulheres Negras Decidem contabilizou ao menos 15 deputadas negras eleitas em 2026, frente a 9 em 2022 — alta de 66,6%.

“A maior parte dessas eleitas é formada por mulheres jovens, o que aponta uma renovação feminina e negra no Parlamento”, afirmou Tainah Pereira, coordenadora política da organização.

No entanto, essa expansão não se repetiu no Senado: entre as 12 senadoras eleitas, nenhuma é negra. Eliziane Gama (PT), que se declarava negra e ocupava atualmente a cadeira pelo Maranhão, não conseguiu a reeleição. Outras duas candidatas negras também foram derrotadas — Mariana Silva (Rede), candidata por São Paulo e que já havia sido senadora pelo Acre entre 1995 e 2011; e Benedita da Silva (PT), primeira mulher negra eleita para o Senado em 1998. Até hoje, apenas quatro mulheres negras chegaram a ocupar cadeiras no Senado.

Especialistas e organizações afirmam que, embora os avanços sejam relevantes, os percentuais ainda estão longe de representar a paridade de gênero, e a presença de mulheres no Parlamento não garante, por si só, a implementação de políticas públicas voltadas para a igualdade.

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via Agencia Brasil

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