Renovação da Câmara chega a 35,7% e nova bancada terá recorde de mulheres; veja a composição

Renovação da Câmara chega a 35,7% e nova bancada terá recorde de mulheres; veja a composição

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Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a apuração de 4 de outubro de 2026 mostram que 183 dos 513 deputados federais eleitos vão ocupar o cargo pela primeira vez — uma taxa de renovação de 35,67%. Os parlamentares empossados integrarão a 58ª legislatura, cujo mandato vai de 1º de fevereiro de 2027 a 31 de janeiro de 2031.

Do total de eleitos, 301 foram reeleições ou titulares confirmados entre os que haviam sido eleitos em outubro de 2022 ou que haviam assumido a vaga como suplentes ao longo da 57ª legislatura (58,6% do plenário). Além disso, 29 candidatos que já ocuparam mandatos em legislaturas anteriores retornam à Câmara.

Representatividade racial

O grupo de parlamentares que se autodeclararam pretos ou pardos somou 135 cadeiras, o equivalente a 26,3% dos 513 assentos — recuo de 2,9 pontos percentuais em relação às 139 vagas ocupadas por pessoas negras na eleição de 2022. O banco de dados do TSE registrou, no total, 10.206 candidaturas de pessoas negras a cargos em 2026, o que representa 49,64% de todas as inscrições.

Indígenas

A bancada de representantes indígenas na Câmara encolheu: apenas três candidaturas autodeclaradas indígenas garantiram assento para os próximos quatro anos. Reeleitos, estão Paulo Guedes (PT-MG), com 126.891 votos; Juliana Cardoso (PT-SP), com 111.904 votos; e Sônia Guajajara (PSol-SP), reeleita com 54.207 votos — contabilizados via quociente eleitoral. Com isso, a presença indígena corresponderá a cerca de 0,58% da Casa, ante cinco eleitos no pleito de 2022.

Historicamente, a presença de deputados indígenas na Câmara foi esparsa: Mário Juruna (PDT-RJ) representou povos originários entre 1982 e 1986, e Joenia Wapichana (eleita em 2018) foi a primeira mulher indígena a assumir uma cadeira federal.

Maior bancada feminina da história

A próxima legislatura terá 108 deputadas eleitas, a maior bancada feminina já registrada na Câmara — um aumento de 17 cadeiras (18,68%) sobre as 91 eleitas em 2022. A ampliação do número de mulheres no Congresso foi saudada por especialistas e observadores como um avanço na representatividade, ainda que as posições políticas entre as eleitas sejam diversas.

Distribuição por partido

Com base em projeções finais (99,9% dos votos apurados), o Partido Liberal (PL) elegeu a maior bancada: 121 deputados, 24 a mais que na legislatura anterior. A Federação Brasil da Esperança (PT / PCdoB / PV) ficou em segundo lugar, com 88 cadeiras — aumento de seis vagas em relação a 2022.

  • PL: 121 deputados;
  • Federação Brasil da Esperança (PT / PCdoB / PV): 88;
  • Federação União Progressista (União / PP): 87;
  • PSD: 43;
  • Republicanos: 41;
  • MDB: 36;
  • Pode (Podemos): 27;
  • PSB: 15;
  • Federação PSol / Rede Sustentabilidade: 15;
  • PSDB / Cidadania: 11;
  • Novo: 10;
  • PRD / Solidariedade: 7;
  • PDT: 6;
  • Avante: 5;
  • Missão: 1.

Analistas entrevistados ressaltaram que a formação de blocos partidários grandes tende a determinar a distribuição de recursos, emendas e cargos em comissões, influenciando a agenda legislativa e a capacidade de articulação no Congresso.

Votos históricos

O pleito também estabeleceu novos recordes pessoais de votação. O deputado reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG), de 30 anos, recebeu mais de 3,11 milhões de votos e tornou-se o parlamentar federal mais votado da história do país, superando o resultado que obteve em 2022 (1,47 milhão).

Em segundo lugar entre os mais votados aparece Lucas Pavanato (PL), de 28 anos, vereador de São Paulo e presença ativa em redes sociais, com 3.038.438 votos. A deputada Erika Hilton (PSol-SP), reeleita com 1.596.472 votos, foi a candidata feminina com maior votação e atualmente preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara.

Com a conclusão da apuração, a nova composição da Câmara passa a ser objeto de articulações para a formação de lideranças, blocos e definição das presidências de comissões, etapas que vão moldar as prioridades legislativas para a próxima legislatura.

Com colaboração de Priscilla Mazenotti.

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via Agencia Brasil

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