Por Bruno de Freitas Moura — São Paulo, 02/10/2026 – 18:13. Edição: Fernando Fraga.
O Painel El Niño 2026–2027, coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), informa em seu boletim nº 4 que existe 95% de probabilidade de que o fenômeno alcance a classificação de “muito forte” no trimestre outubro–novembro–dezembro. Se confirmado, esse evento pode figurar entre os mais intensos observados desde 1950.
O boletim aponta mudanças regionais no padrão de chuva e de temperatura no Brasil decorrentes do aquecimento anômalo do Oceano Pacífico Equatorial. As principais projeções para o próximo trimestre são:
- Região Sul: precipitação acima da média, com risco elevado de cheias em áreas suscetíveis;
- Centro-norte do país: condições mais secas e aumento do risco de incêndios florestais;
- Sudeste e leste do Nordeste: trechos com chuva acima da média;
- Norte e parte do Nordeste: menor ocorrência de chuvas e temperaturas elevadas, o que pode agravar secas e ampliar o risco de queimadas;
- Território nacional em geral: tendência de temperaturas acima da média.
O boletim lembra que El Niño corresponde ao aquecimento atípico das águas do Pacífico Equatorial. No fim de setembro, registros da agência norte-americana CPC/NOAA mostraram anomalias da temperatura da superfície do mar superiores a 2 °C nas regiões central e leste do Pacífico Equatorial, sinalizando intensidade significativa do aquecimento.
O documento é elaborado pelo Inpe em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Especialistas e gestores públicos costumam monitorar eventos como este por seus impactos amplos: alterações no calendário agrícola, pressão sobre abastecimento hídrico, maior demanda por ações de prevenção e resposta a cheias e incêndios, além de efeitos sobre saúde pública e infraestrutura.
As previsões serão atualizadas em novos boletins do Painel El Niño à medida que modelos e observações oceânicas e atmosféricas forem sendo refinados.
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via Agência Brasil
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