Em relatório anual submetido ao Congresso dos Estados Unidos e datado de 15 de setembro de 2026, o presidente Donald Trump acusou o governo brasileiro de não ter conseguido conter as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), que, segundo o texto, teriam transformado o Brasil em um importante ponto de trânsito para cocaína no mercado global.
O documento avalia o desempenho de vários países no combate às drogas para o ano fiscal de 2027 e destaca iniciativas adotadas por governos do Hemisfério Ocidental para reduzir fluxos de entorpecentes. Em relação ao Brasil, o relatório afirma que as duas organizações criminosas — já designadas, em maio, como Organizações Terroristas Estrangeiras pelos EUA — representam uma ameaça crescente à segurança internacional e exige que o país adote medidas enérgicas para derrotá‑las antes que se ampliem.
Em 28 de maio o Departamento de Estado anunciou a classificação do PCC e do CV como Organizações Terroristas Estrangeiras; a medida entrou em vigor em 5 de junho. A decisão foi tomada com base na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA e em ordem executiva presidencial. Na ocasião, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que as facções estão entre as mais violentas do Brasil e que suas redes extrapolam fronteiras, e ressaltou que a designação amplia ferramentas norte‑americanas para impor sanções e outras medidas contra envolvidos.
O governo brasileiro respondeu por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), que refutou a alegação de omissão no combate ao crime organizado transnacional. Em nota, a pasta citou a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, e o Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio de 2026, como medidas que ampliam penas, estrangulam financeiramente as facções e fortalecem ações na área prisional e investigativa.
O MJSP também destacou “dezenas de milhares de operações” realizadas por forças federais e estimativas de prejuízo bilionário imposto a criminosos, além de registrar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou, em 7 de maio de 2026, em Washington, uma proposta de cooperação com detalhamento de ações conjuntas sobre lavagem de dinheiro, compartilhamento de inteligência e combate ao tráfico de armas — proposta que, segundo o governo brasileiro, aguarda resposta das autoridades norte‑americanas.
Embora critique a atuação do Brasil contra o PCC e o CV, o relatório não inclui o país entre os que o governo dos EUA considera ter “falhado de maneira demonstrável” no cumprimento de suas obrigações internacionais de combate às drogas. Essa categoria, segundo o documento, abrange Afeganistão, Bolívia, Mianmar, Colômbia e Venezuela.
Além disso, o Brasil não figura na lista de países considerados principais em trânsito ou produção de drogas ilícitas, que cita na relação: Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, Mianmar, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela.
No mesmo relatório, Trump faz menções favoráveis a governos com maior afinidade com Washington, citando positivamente Argentina, Equador e El Salvador. O texto também destaca mudanças recentes em países como Venezuela, Bolívia, Colômbia e Peru como fatores que alteraram a percepção sobre esforços no combate ao narcotráfico — e cita nominalmente o novo presidente colombiano Abelardo de la Espriella, o presidente boliviano Rodrigo Paz (eleito em 2025) e a presidente do Peru, Keiko Fujimori.
O presidente norte‑americano reserva críticas a parceiros como Canadá e México. Sobre o Canadá, o relatório aponta para a produção ilegal de fentanil em laboratórios clandestinos e para a entrada de precursores químicos e substâncias sintéticas pelo país. A respeito do México, o documento reclama medidas adicionais contra organizações narcoterroristas que atuariam em amplas regiões do território mexicano e pede reforço nas inspeções e na integridade das cadeias de fornecimento.
Quanto à China, o texto identifica o país como o maior produtor mundial de muitos produtos químicos precursores usados na fabricação ilícita de fentanil, metanfetamina e outros sintéticos. Trump afirma ter tratado do tema diretamente com o presidente Xi Jinping e reconhece medidas adotadas por Pequim para exigir licenciamento na exportação de determinados precursores, mas observa que criminosos continuam encontrando meios de contornar controles, e conclama por ações mais amplas por parte das autoridades chinesas.
O relatório presidencial entrega um panorama das prioridades e das avaliações do governo dos EUA em segurança e drogas para 2027 e reacende um debate diplomático entre Brasil e Estados Unidos sobre estratégias conjuntas, soberania e formas de cooperação bilateral no enfrentamento ao crime organizado transnacional.
Texto atualizado para incluir posicionamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
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via Agência Brasil
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