A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou em coletiva no dia 2 de outubro de 2026 que a segunda ocorrência de hidrocarbonetos no poço Morpho reforça as expectativas de abertura de uma nova fronteira exploratória na Bacia da Foz do Amazonas.
O poço, registrado como 1-BRSA-1405-APS, foi perfurado em águas ultra profundas, com lâmina d’água de 2.886 metros, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. Segundo a executiva, os indícios apontam para potencial comercial, ainda que a confirmação dependa de etapas posteriores de avaliação.
“Ainda não podemos garantir, mas tudo indica que estamos realmente abrindo uma nova fronteira exploratória. Existe o otimismo de que essa fronteira ajude a mitigar o déficit de produção no Brasil. Não sabemos se vamos ter uma descoberta com valor comercial, mas tudo indica que sim”, disse Magda Chambriard.
Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, aponta que o volume potencial total recuperável na Bacia da Foz do Amazonas pode atingir até 10 bilhões de barris de óleo equivalente (boe), indicador que agrega petróleo e gás natural.
Esta é a segunda ocorrência registrada no poço Morpho — a primeira havia sido anunciada em agosto de 2026. Durante a coletiva, a presidente da estatal exibiu uma amostra do óleo extraída no poço, descrevendo-a como de baixa viscosidade e qualidade favorável. O grau API e outros parâmetros técnicos permanecem sob sigilo regulatório; no mercado, óleos mais leves e de maior API costumam ter maior valor comercial.
Próximas etapas operacionais
A Petrobras obteve autorização ambiental para perfurar áreas na Foz do Amazonas em outubro de 2025, concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). As operações de testes e manobras no poço Morpho devem seguir até o final de outubro de 2026, quando a sonda será desmobilizada.
- Após a desmobilização, a sonda seguirá para o Rio Grande do Norte, com previsão de perfuração do prospecto Mãe de Ouro, na Bacia Potiguar, em novembro de 2026.
- No Bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas, está previsto o retorno de uma sonda no primeiro trimestre de 2027 para perfurar três poços de delimitação, com o objetivo de avaliar volumes e definir a comercialidade do campo.
Contestações e riscos ambientais
Em 28 de setembro de 2026, o Ministério Público Federal (MPF) ingressou no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) com um novo pedido para suspender a licença ambiental que autoriza a Petrobras a explorar o bloco FZA-M-59. A ação solicita a paralisação imediata de quaisquer perfurações ou testes na área.
O MPF citou incidentes recentes que, segundo os procuradores, demonstram riscos nas operações na região, incluindo o vazamento de mais de 18 mil litros de fluido químico no mar durante a operação de uma sonda em janeiro de 2026. Outro ponto levantado na ação é a ausência de consulta prévia, livre e informada às comunidades indígenas, quilombolas e aos pescadores artesanais do Amapá e do Pará, direito previsto pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Especialistas e ativistas ambientais têm ressaltado a sensibilidade ecológica da região, que envolve importantes corredores migratórios marinhos e áreas de pesca artesanal. A discussão judicial em curso e as exigências regulatórias serão determinantes para o avanço — ou não — da exploração comercial na bacia.
Enquanto a Petrobras e órgãos reguladores avançam nas análises técnicas e ambientais, a indústria monitora o desenvolvimento dessas etapas por seu potencial de reduzir o déficit de produção nacional e ampliar as reservas brasileiras de óleo e gás.
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via Agência Brasil