Por Marcelo Brandão — Brasília, 03/10/2026.
Há três décadas a urna eletrônica transformou a rotina das eleições brasileiras: introduzida em 1996, ela reduziu o tempo de apuração de dias para poucas horas e tornou o resultado conhecido ainda no mesmo dia do pleito.
Do papel à máquina: breve histórico
O projeto da votação eletrônica começou em 1995, com participação de especialistas das Forças Armadas, do Ministério da Ciência e Tecnologia e do Ministério das Comunicações. A urna estreou nas eleições municipais de 1996 com o nome oficial de Coletor Eletrônico de Votos (CEV). Inicialmente usada de forma parcial como teste, a adoção completa em todo o país ocorreu nas eleições municipais de 2000.
As décadas anteriores ao sistema eletrônico expuseram fragilidades do voto em papel, como a chamada “urna grávida” — cédulas já preenchidas inseridas na urna antes do início da votação — e apurações manuais que demoravam dias e facilitavam fraudes.
Evolução técnica e recursos ao longo dos anos
A urna passou por atualizações periódicas: em 1998 começou a exibir a foto dos candidatos; em 2002 foram instituídos a cerimônia pública de lacração dos sistemas e o teste de integridade; em 2004 os códigos-fonte passaram a ser auditados; e em 2006 começaram testes de identificação biométrica. Em 2022, a capacidade de processamento do equipamento foi ampliada em 18 vezes e o terminal do mesário recebeu tela sensível ao toque.
Para as eleições de 2026, a urna incorpora novas facilidades de acessibilidade e usabilidade: intérprete de Libras que indica voto nulo e em branco, identificação da legenda, barra de progresso da votação no painel e indicação do número de dígitos esperados para cada cargo, além de mostrar o andamento do processo eleitoral ao eleitor.
Auditorias e mecanismos de segurança
O Tribunal Superior Eleitoral abriu o acesso ao código‑fonte em outubro de 2025 para instituições com legitimidade para inspecioná‑lo, como partidos políticos, Polícia Federal e Ministério Público; as verificações puderam ser feitas até setembro de 2026, quando houve a lacração dos sistemas eleitorais.
O processo de votação é submetido a mais de 40 auditorias realizadas antes, durante e depois das eleições. Entre os mecanismos de fiscalização estão o Teste Público de Segurança, os Testes de Integridade, o Registro Digital do Voto (RDV), o Boletim de Urna e a publicação de arquivos e resultados na internet para conferência pública.
As urnas não são conectadas à internet e não aceitam conexão via bluetooth ou wi‑fi, o que impede ataques remotos. Ao encerrar a votação, o equipamento grava os votos em mídia física com dados criptografados e protegidos por assinatura digital. O Boletim de Urna registra os resultados de cada seção e a mídia é utilizada para transmitir os dados ao sistema de totalização por uma rede exclusiva da Justiça Federal, permitindo a checagem dos dados entre o boletim e o totalizador.
Em 30 anos de uso, a Justiça Eleitoral não registrou fraude comprovada no processo de votação eletrônica.
Uso no exterior
A adoção de tecnologia para computar votos não é exclusiva do Brasil: ao menos 34 países já usam ou já utilizaram sistemas eletrônicos de votação, e 17 deles utilizam urnas eletrônicas em maior ou menor escala. Entre os exemplos estão França, Bulgária, Índia, Peru, México e alguns estados dos Estados Unidos.
Especialistas e autoridades destacam que a urna eletrônica consolidou, ao longo de três décadas, um modelo de votação mais rápido e auditável, com melhorias constantes em acessibilidade e segurança.
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via Agência Brasil
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