Pisa 2025: Brasil reduz distância para países da OCDE, mas níveis de aprendizagem permanecem baixos

Pisa 2025: Brasil reduz distância para países da OCDE, mas níveis de aprendizagem permanecem baixos

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Publicado em 10/09/2026 — Brasília. Por Pedro Rafael Vilela.

O resultado do Pisa 2025 mostra que o Brasil se aproximou da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mas especialistas alertam que essa redução da distância não reflete necessariamente um avanço robusto na aprendizagem. A explicação principal, segundo analistas ouvidos, é que o desempenho médio da OCDE recuou nos últimos anos, enquanto o Brasil manteve resultados relativamente estáveis.

Resultados e comparação com a OCDE

Na edição de 2025 do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), aplicada a jovens de 15 anos em matemática, leitura e ciências, o Brasil alcançou 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Em comparação, a média de 23 países da OCDE foi de 466 (leitura), 469 (matemática) e 486 (ciências). A benchmarking tradicional do Pisa associa aproximadamente 20 pontos a um ano escolar; em matemática, isso representa um atraso médio de cerca de 4,6 anos em relação aos países da OCDE.

A distância entre o Brasil e a média da OCDE diminuiu nas três áreas desde 2006: em leitura a diferença caiu de 102 para 58 pontos (redução de 44), em matemática de 131 para 92 (−39) e em ciências de 113 para 77 (−36).

Interpretação dos especialistas

Felipe Proto, vice‑presidente de Educação da Fundação Lemann, destaca que a estabilização dos resultados brasileiros diante da queda média da OCDE impede uma leitura simplista de progresso. Para ele, o país ainda precisa produzir avanços sustentáveis e generalizados na aprendizagem para superar o atual patamar.

Rodrigo Fulgêncio, 1.º vice‑presidente da Associação Brasileira de Sistemas de Ensino e Plataformas Educacionais (Abraspe), observa que houve melhoria no longo prazo em leitura e ciências, mas sublinha que grande parte da redução da lacuna está relacionada ao recuo da média da OCDE, sobretudo em matemática.

O mestre em matemática Jalman Lima, gerente da CASIO Educação, concorda que evitar uma queda pronunciada é um aspecto positivo, mas ressalta que o nível absoluto do desempenho brasileiro permanece baixo: apenas 28% dos estudantes atingiram pelo menos o nível 2 em matemática, considerado mínimo pelo Pisa. Para ele, o desafio é transformar estabilidade em crescimento real, ampliando a capacidade dos alunos de interpretar situações e escolher estratégias para resolver problemas.

Desigualdades e lacunas de proficiência

Especialistas chamam atenção também para desigualdades marcantes entre estudantes. Segundo Rodrigo Fulgêncio, a diferença em ciências entre o quarto superior e o quarto inferior socioeconômico chega a 96 pontos — quase cinco vezes o ganho médio esperado para um ano escolar. Além disso, há uma presença muito reduzida de alunos nos níveis mais altos de proficiência e uma parcela elevada abaixo do nível básico, especialmente em matemática e leitura.

Características da amostra brasileira e foco do estudo

O Pisa 2025 envolveu 760 mil estudantes em 91 países; o Brasil participou com 30.140 alunos. Do total avaliado no país, 72,4% eram de escolas estaduais, das quais 96,9% estavam em áreas urbanas. Cerca de 84,7% dos estudantes brasileiros estavam matriculados na 1ª ou 2ª série do ensino médio quando as provas foram aplicadas, entre abril e maio de 2025. Nesta edição, o foco foi o letramento em ciências, com o maior número de itens dedicados a essa área.

Tecnologia, atenção e uso de IA

Os questionários contextuais do Pisa também mapearam o uso de celulares e outras tecnologias. Em 2025, 81% dos estudantes brasileiros avaliados disseram frequentar escolas com restrições ao uso de dispositivos móveis em sala — proporção superior à média da OCDE (49%) e muito acima dos 37% registrados em 2022. O ministério responsável pela educação interpreta esse dado como alinhado à evidência de menor relato de distrações digitais em escolas com regras sobre aparelhos.

Outras evidências apontadas pela OCDE mostram um aumento da chamada “leitura apressada” entre 2018 e 2025, além de fragilidades na avaliação crítica de informações e na integração de múltiplas fontes de texto. No Brasil, 28% dos estudantes relataram que colegas se distraem com dispositivos digitais na maioria ou em todas as aulas de ciências, e 46% disseram usar ferramentas de Inteligência Artificial semanalmente ou com maior frequência para estudar.

Para Rodrigo Fulgêncio, esses indicadores sugerem que o acesso ampliado à informação e às tecnologias ainda não se traduziu em melhores práticas de ensino ou em maior profundidade da leitura: é preciso capacitar alunos para sustentar atenção, ler com mais profundidade, avaliar fontes e empregar a tecnologia como instrumento que amplia — e não substitui — o pensamento.

Conclusão

Ao sintetizar os resultados do Pisa 2025, os especialistas reiteram que a redução da distância para a média da OCDE não deve ser celebrada como um progresso suficiente. O país precisa converter a estabilidade atual em avanços reais e equitativos de aprendizagem, reduzir as desigualdades internas e promover habilidades de pensamento crítico e raciocínio para formar estudantes preparados para os desafios do século XXI.

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via Agência Brasil

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