Baixa visão na infância: diagnóstico precoce é essencial, alerta oftalmologista

Baixa visão na infância: diagnóstico precoce é essencial, alerta oftalmologista

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Por Paula Laboissière — Enviada especial | Brasília, 11/09/2026 — 10:14

A visão na primeira infância exerce papel central no desenvolvimento motor, cognitivo, da linguagem e das interações sociais. Segundo a oftalmologista Maria de Fátima Neri, falar em baixa visão infantil vai além de uma redução da acuidade visual: trata-se de um comprometimento que pode afetar a percepção, a exploração do ambiente e a autonomia da criança.

A especialista fez o alerta durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), realizado em Salvador, que termina em 12 de setembro de 2026. Ela enfatizou que intervenções realizadas o quanto antes aumentam a chance de aproveitar a visão residual e desenvolver estratégias funcionais para o futuro da criança.

Principais causas de baixa visão na infância (indicadas pela especialista):

  • retinopatias decorrentes de sífilis, toxoplasmose e citomegalovírus;
  • catarata congênita;
  • glaucoma congênito;
  • anomalias do nervo óptico;
  • albinismo;
  • distrofias hereditárias da retina;
  • alta miopia;
  • doenças neurológicas;
  • deficiência visual cortical ou cerebral;
  • prematuridade.

Além do diagnóstico anatômico e da medição da acuidade visual, a avaliação deve considerar o que a criança efetivamente consegue realizar com o resíduo visual. A investigação clínica deve envolver a família para mapear capacidades e limitações no dia a dia.

Perguntas úteis na avaliação com os pais:

  • A criança reconhece rostos?
  • Consegue localizar objetos?
  • Brinca com autonomia?
  • Como se comporta em ambientes com diferentes níveis de iluminação?
  • Quais atividades deixou de realizar por causa da visão?

Sinais de alerta que indicam necessidade de avaliação oftalmológica:

  • não acompanha objetos em movimento;
  • fixação ocular ausente ou muito reduzida;
  • aproxima excessivamente objetos dos olhos;
  • esbarra ou tropeça com frequência;
  • dificuldade em ambientes com pouca iluminação;
  • fotofobia ou busca constante por luz;
  • dificuldade para reconhecer pessoas e objetos;
  • atraso no desenvolvimento sem causa definida.

O tratamento e a habilitação devem ser multidisciplinares e voltados para a funcionalidade. Entre as medidas recomendadas estão estimulação visual funcional, uso de recursos ópticos e não ópticos, tecnologia assistiva, orientação e mobilidade, além de intervenção por terapia ocupacional, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia e pedagogia, com suporte à família.

A oftalmologista ressalta que identificar precocemente a baixa visão é uma forma de proteger o desenvolvimento global, a autonomia e o futuro da criança, e não apenas de tratar a capacidade visual.

Observação: a repórter viajou a convite do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

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via Agência Brasil

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