Por Iara Balduino – Repórter
Publicado em 15/09/2026 – 22:01 · Brasília – DF
Pesquisadoras destacaram a necessidade de ampliar a regulação das plataformas digitais e intensificar a fiscalização sobre a circulação de conteúdos produzidos por inteligência artificial durante o webinário “Tecnologias, IA e Eleições”, realizado pela Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras na terça-feira (15).
Algoritmos de recomendação
Fernanda Rodrigues, diretora-executiva do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS), chamou atenção para o papel dos algoritmos de recomendação em decidir quais publicações chegam aos usuários. Segundo ela, é necessária uma intervenção regulatória básica que permita aos cidadãos optar por não receber feeds padronizados e que impeça que esses mecanismos reproduzam vieses discriminatórios.
Desenvolvimento da IA e concentração do debate
As pesquisadoras afirmaram que o desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial tem sido orientado sobretudo por interesses das grandes empresas de tecnologia, deixando em segundo plano demandas sociais. Larissa Santiago, cofundadora da plataforma Blogueiras Negras, avaliou que, embora o Brasil disponha de um arcabouço regulatório relativo à IA em comparação com outros países, falta maior capacidade de fiscalização e políticas eficazes de educação midiática.
Ela ressaltou a dificuldade da população em distinguir pessoas reais de criações geradas por IA e defendeu ações educativas para elevar a alfabetização digital e reduzir a vulnerabilidade a fraudes, manipulações e conteúdos enganadores.
Riscos para o processo eleitoral e violência política
Ao lembrar o contexto do processo de impeachment da então presidenta Dilma Rousseff em 2016, Larissa observou que a circulação de imagens e reportagens distorcidas teve papel relevante naquele episódio — e alertou que as ferramentas atuais de IA amplificam esse tipo de dano. As pesquisadoras destacaram que deepfakes e desinformação potencializam formas de violência política baseadas em gênero e raça, com impacto direto no debate público e na integridade do processo eleitoral.
O debate no webinário reuniu críticas ao reduzido pluralismo nas discussões sobre IA e apontou prioridades: transparência nos sistemas de recomendação, mecanismos de auditoria independentes, fiscalização mais efetiva do compartilhamento de conteúdos gerados por IA e iniciativas de educação midiática voltadas à população.
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via Agencia Brasil