Na cerimônia de premiação realizada em Salvador (BA) nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026, foram anunciadas as escolas vencedoras da 4ª edição do Prêmio Escolas Sustentáveis. A iniciativa reconheceu projetos da educação básica que unem práticas pedagógicas, tecnologia simples e reaproveitamento de materiais para enfrentar desafios locais.
Casa da Infância: intercâmbio internacional e ações locais (educação infantil e primeiros anos do fundamental)
A escola privada Casa da Infância, de Salvador (BA), recebeu o prêmio na categoria que abrange da educação infantil aos primeiros anos do ensino fundamental pelo projeto “Infância, Sustentabilidade e Cidades Educadoras”. A proposta articula um intercâmbio educativo entre quatro escolas do Brasil e da Colômbia, com participação de estudantes, professores e comunidades.
Entre as atividades desenvolvidas estão:
- coleta e gestão de resíduos nos bairros próximos;
- compostagem e hortas escolares;
- reaproveitamento de materiais para novas atividades e produtos;
- mapeamento da biodiversidade local;
- troca de cartas e conteúdos em português, espanhol e inglês, além de encontros presenciais e virtuais.
O projeto promoveu imersões na Caatinga e na Mata Atlântica, visitas a comunidades tradicionais e seminários internacionais. Segundo a escola, cerca de 2 mil pessoas foram beneficiadas direta ou indiretamente pelas ações.
“Entre os resultados está essa abertura de dialogar com o diferente, de compreender que pode aprender potências e forças com aqueles que parecem ter uma realidade tão distinta. A gente percebeu as crianças muito abertas, inclusive com repertório de literatura, de questões raciais”, afirmou Marília Dourado, gestora da Casa da Infância.
EcoLuz Trap: armadilha luminosa de baixo custo para reduzir mosquitos (anos finais do fundamental, ensino médio e EJA)
No segmento que reúne experiências dos anos finais do ensino fundamental, do ensino médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), o projeto premiado foi o EcoLuz Trap – Tecnologia de Baixo Custo contra Vetores de Doenças na Amazônia, desenvolvido por estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), Campus Marabá Industrial, em Marabá (PA).
O protótipo é uma armadilha luminosa construída com materiais reaproveitados, como latas de leite, tampas de garrafa para os pés, fios e componentes eletrônicos descartados, além de uma fonte de 12 volts retirada de aparelhos inservíveis. A solução inclui um ventilador pequeno e lâmpadas LED de cores variadas, testadas para identificar as tonalidades que mais atraem mosquitos, dispensando o uso de inseticidas.
O docente que orientou a equipe, Ríguel Contente, relatou que a iniciativa começou a partir de um diagnóstico feito em sala sobre a presença de mosquitos nas residências dos alunos, muitos deles moradores de áreas periféricas e expostos a noites quentes em Marabá. O processo envolveu desenho técnico, experimentos, registro e identificação dos insetos capturados.
“Tem a parte de desenho técnico, estudar como fazer o desenho da armadilha. Depois tem que ir para a parte experimental, ver qual é a lâmpada que vai ter a melhor eficiência de atração de mosquito. Fizemos várias réplicas com lâmpada vermelha, verde, roxo, azul, e espalhamos pela escola”, explicou Ríguel Contente.
Além de aproximar os estudantes de conceitos de ciência, tecnologia e sustentabilidade, o projeto teve caráter formativo: os alunos trabalharam com estatística, construção de gráficos e identificação zoológica, e puderam apresentar resultados em congressos e feiras. O IFPA estima que aproximadamente 3,5 mil pessoas foram alcançadas pela iniciativa, que agora avança para atividades de extensão voltadas à comunidade externa.
O prêmio e os próximos passos
Dez projetos chegaram à etapa final da 4ª edição do Prêmio Escolas Sustentáveis, que é aberto a instituições públicas e privadas. As escolas vencedoras receberam premiação em dinheiro e garantiram participação na fase internacional da competição, marcada para 2 de dezembro de 2026, na Cidade do México.
A iniciativa é realizada pela Fundación Santillana, pelo grupo Santillana e pela Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OIE). Luciano Monteiro, diretor executivo da Fundación Santillana no Brasil, destacou o objetivo do prêmio:
“A ideia é mostrar que sustentabilidade não é só meta global, grandes projetos internacionais. Sustentabilidade é algo que acontece perto de nós também. Isso acontece quando estudantes, professores, crianças, olham situações da sua comunidade e pensam em estratégias para corrigi-las.”
O repositório com as práticas e tecnologias vencedoras está disponível no site do prêmio, para que outras escolas possam consultar, adaptar e replicar as soluções em seus contextos.
Vencedores anunciados em Salvador (BA) em 17/09/2026. Matéria publicada em 17/09/2026.
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via Agência Brasil
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