Rio de Janeiro — 18/09/2026. Por Bruno de Freitas Moura.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu nesta sexta-feira (18) às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que qualificou organizações criminosas brasileiras como terroristas e afirmou que o Brasil não teria conseguido enfrentar as facções.
Durante cerimônia que reuniu autoridades da segurança pública federais, estaduais e municipais, realizada no Complexo da Polícia Rodoviária Federal em Irajá, na Zona Norte do Rio, Lula defendeu a retomada de áreas hoje controladas por traficantes e rejeitou a caracterização das facções como sinônimo de terrorismo, segundo sua avaliação.
O presidente afirmou ainda que a noção de “terrorismo” em alguns discursos internacionais, na sua visão, refere-se a ações de Estado voltadas para a conquista ou defesa do poder. Lula citou o episódio do dia 8 de janeiro como exemplo de tentativa golpista, apontando que o plano incluía a intenção de matar líderes, entre eles ele próprio, o então vice-geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, e classificou aquela ação como terrorismo de Estado.
Em março deste ano, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão, considerado culpado por vários crimes, entre eles a participação ou ciência de um plano para matar Lula, o vice e o ministro do STF.
Petróleo, terras raras e a margem equatorial
No mesmo discurso, Lula voltou a criticar a postura dos Estados Unidos em relação a recursos estratégicos e afirmou que o país precisa proteger áreas como a margem equatorial, no Norte, e a região do pré-sal, no litoral Sudeste, onde há exploração de petróleo. O presidente disse suspeitar de interesse externo por minerais críticos e terras raras.
Na quarta-feira (15), um documento anual enviado ao Congresso dos EUA trouxe críticas do governo norte-americano ao esforço brasileiro no enfrentamento às facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Em maio, os EUA já haviam classificado PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras.
Convênios e ações integradas no Rio
Durante o evento no Complexo da PRF — localizado no entroncamento da Avenida Brasil com a Rodovia Presidente Dutra, ponto de acesso a cidades da região metropolitana como São João de Meriti e Duque de Caxias — foram apresentados convênios assinados entre os entes federais, o governo do estado e a prefeitura do Rio, voltados a três frentes principais:
- Proteção de corredores logísticos: parceria do Ministério da Justiça e Segurança Pública com o governo estadual para combater a movimentação de criminosos e o roubo de cargas. As ações atingem as divisas do Sudeste e vias estratégicas do Rio, como Avenida Brasil, Linha Vermelha, Linha Amarela e acessos ao Porto e ao Aeroporto Internacional.
- Política Estadual de Reocupação Territorial: acordo entre o ministério e o governo do estado para reduzir o controle armado e econômico exercido por organizações criminosas, ampliando a presença do Estado e atuando sobre mercados explorados pelo crime.
- Capacitação da chamada Força Municipal: cooperação entre a prefeitura, a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) para formar turmas de elite da Guarda Municipal do Rio, compostas por agentes armados.
Os convênios com o estado foram assinados no início de setembro e têm vigência de 60 meses. A cooperação com a prefeitura foi firmada em agosto de 2025 e tem prazo de três anos.
Lula afirmou que o Rio funciona como laboratório para esse tipo de ação integrada e que, se as iniciativas derem certo na cidade, poderão ser replicadas em todo o país.
Reações locais
O governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, destacou que a atuação conjunta aumentou apreensões de drogas e defendeu a capacidade do Brasil de conduzir suas ações de segurança sem tutela externa.
O prefeito Eduardo Cavaliere informou que a prefeitura tem integrado sistemas de inteligência, incluindo monitoramento por vídeo de vias, e afirmou que a articulação entre esferas de governo envia um sinal claro de coordenação para a população da região metropolitana.
Autoridades presentes ressaltaram que a Força Municipal também terá sede no Complexo da PRF, reforçando a integração operacional no entroncamento da Avenida Brasil com a Dutra, rota de entrada para municípios vizinhos.
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via Agência Brasil