São Paulo (SP), 25/09/2026 – 21:10. Por Guilherme Jeronymo.
Com a medida que torna proibidas as apostas on-line anunciada nesta sexta-feira (25) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo, o Ministério da Saúde informou que vai intensificar as ações de busca ativa para localizar apostadores habituais e oferecer acompanhamento clínico e tratamento quando necessário.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, iniciativas de identificação e contato com pessoas com comportamento de jogo problemático já vinham sendo realizadas desde dezembro de 2025. Esses esforços utilizam bases de dados compartilhadas entre os ministérios da Fazenda e da Segurança e a Receita Federal, segundo o ministro.
Padilha ressaltou que os registros utilizados estão alojados no Nuvem Brasil, plataforma sob gestão do Ministério da Saúde que, de acordo com o ministro, segue as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e os princípios éticos aplicáveis ao atendimento em saúde.
Não foram divulgados, até o momento, detalhes sobre o fluxo de atendimento, o cronograma de contatos nem a estimativa de quantas pessoas serão alcançadas pela operação.
Para atender os identificados como em situação de risco, o ministério pretende empregar a rede do programa Meu SUS Digital e ampliar o uso de teleatendimento para disponibilizar suporte em saúde mental — não só aos apostadores, mas também a seus familiares, afirmou Padilha.
O ministro também citou estudos sobre os impactos das apostas na saúde pública e na economia. Segundo levantamento do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), o custo social associado às apostas é estimado em R$ 38,8 bilhões por ano, dos quais R$ 17 bilhões estariam relacionados a mortes adicionais por suicídios.
As declarações foram dadas em coletiva realizada após o anúncio presidencial em São Paulo. A pasta afirma que a ampliação da busca ativa tem caráter preventivo e terapêutico, com foco em reduzir danos associados ao jogo problemático.
Especialistas em saúde pública apontam que ações de busca ativa podem incluir identificação por critérios epidemiológicos, contato direto para oferta de avaliação e encaminhamento a serviços de saúde mental. A efetividade dessas medidas costuma depender da integração entre bancos de dados, capacidade de resposta da rede de atenção e garantias de proteção de dados pessoais.
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via Agência Brasil