Rio de Janeiro — Na quarta-feira (2), durante um encontro com empresários promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), o procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antônio José Campos Moreira, afirmou que é preciso reconhecer o crime organizado como uma atividade empresarial concorrente e atacar sua base econômica.
Segundo Antônio José, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) tem voltado sua atuação para a investigação patrimonial e para a recuperação de ativos como forma de “asfixiar financeiramente” as organizações criminosas. Para ele, medidas que apenas visam prender lideranças não atingem a estrutura econômica desses grupos.
O procurador ressaltou que, embora investigar, processar, condenar e prender continuem sendo ações essenciais, é necessário complementá-las com estratégias dirigidas aos bens e aos fluxos financeiros das facções. Ele afirmou que a atuação do MPRJ hoje prioriza rastrear patrimônio e recuperar recursos para reduzir a capacidade operacional dessas organizações.
Antônio José também avaliou que a expansão das facções no estado ultrapassou a esfera da segurança pública: afirmou que o Rio de Janeiro está territorialmente fragmentado e em partes dominado por grupos criminosos, situação que, em sua visão, ultrapassa questões apenas de polícia e toca aspectos de soberania.
O procurador explicou que o controle territorial permitiu às facções diversificar fontes de renda e atuar sobre atividades econômicas lícitas, de modo que o tráfico de drogas deixou de ser a única ou principal fonte de recursos em muitas áreas. Ele destacou os impactos econômicos dessa dinâmica, como perda de arrecadação de tributos e impedimentos para empreendedores locais exercerem suas atividades.
A declaração foi proferida durante o debate com representantes do setor privado e foi publicada em 03/09/2026.
Leia também: Agenda dos presidenciáveis — quinta-feira, 3 de setembro de 2026: compromissos e horários
via Agência Brasil
1 thought on “Procurador-geral do Rio defende ‘asfixia financeira’ para enfraquecer crime organizado”