Nepal intensifica buscas por até 900 trabalhadores de hidrelétricas; 121 podem estar presos em túneis

Nepal intensifica buscas por até 900 trabalhadores de hidrelétricas; 121 podem estar presos em túneis

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Equipes de busca e resgate do Nepal seguiram, nesta segunda-feira (7), à procura de centenas de trabalhadores desaparecidos em projetos hidrelétricos afetados pelas enchentes provocadas pelo colapso de parte de uma geleira em 26 de agosto. Autoridades militares estimam que cerca de 121 das aproximadamente 900 pessoas desaparecidas em obras hidrelétricas podem estar retidas em túneis.

O desastre, registrado em 26 de agosto ao longo da fronteira entre o Nepal e a região do Tibete (China), arrastou lama, rochas e detritos por rios, soterrando vilarejos, estradas e trechos de usinas. Até o momento, ao menos 1.380 pessoas morreram e mais de 5.500 estão desaparecidas no Nepal e no Tibete.

Em Rasuwa, o projeto hidrelétrico de Chilime permanece como foco das operações: quatro das seis pessoas ainda listadas como desaparecidas nessa usina podem estar vivas, segundo o parlamentar envolvido nos resgates Shri Ram Neupane. Ele afirmou que as equipes já dispõem de equipamentos especializados e aplicaram técnicas específicas para atuar nos túneis, onde existem bolsas de ar e salas que podem ter abrigado trabalhadores.

Nos últimos dias houve avanços nas buscas: quatro pessoas foram resgatadas com vida — entre elas, um cidadão chinês retirado de um túnel no sábado (5); dois trabalhadores salvos de outro túnel na sexta-feira (4); e uma mulher nepalesa extraída de uma casa soterrada no sábado.

O governo informou que, no 13º dia após o desastre — data que coincide com o último dia de luto em rituais hindus — prédios públicos e missões diplomáticas hastearão bandeiras a meio-mastro. O Ministério do Interior explicou que a simbologia marca o encerramento do período de luto observado por muitas famílias afetadas.

Apelo por ajuda internacional

O Ministério das Relações Exteriores do Nepal fez um apelo por assistência urgente à comunidade internacional. Entre os itens solicitados estão drones de alta capacidade, pontes modulares do tipo Bailey, kits para testes de DNA, trajes e equipamentos para resgate em túneis e suprimentos para prevenir surtos de doenças nas áreas atingidas.

Autoridades do país declararam que as operações de busca continuam em locais de difícil acesso, onde a combinação de deslizamentos, rios obstruídos e infraestrutura danificada complica o envio de reforços e equipamentos pesados.

Cooperação e situação no Tibete

Do lado chinês, equipes de resgate informaram no domingo (6) a recuperação de mais 12 corpos e seguem as buscas por centenas de desaparecidos na região do Tibete. Entre os afetados no lado chinês há muitos peregrinos estrangeiros — inclusive indianos — que visitavam o Lago Mansarovar e o Monte Kailash, locais sagrados para fiéis hindus.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, declarou que as autoridades chinesas prosseguirão os esforços de busca e resgate e que divulgarão atualizações sobre a situação e as operações. Pequim também autorizou a visita de jornalistas estrangeiros às principais áreas impactadas.

Com as operações de salvamento em andamento, o governo do Nepal anunciou que não promoverá eventos públicos de maior porte para marcar o 13º dia de luto. Phanindra Paudel, do Centro Nacional de Operações de Emergência (NEOC), informou que as ações prioritárias permanecem sendo as buscas e o atendimento às regiões afetadas.

O presidente cerimonial Ram Chandra Paudel visitou áreas atingidas para avaliar os danos, conforme comunicado de sua assessoria. Em postagens nas redes sociais, o primeiro-ministro Balendra Shah relatou que agentes de segurança da prisão distrital de Nuwakot transferiram 923 detentos para um edifício mais alto antes que as águas invadissem a instalação; além disso, 50 presos que haviam rompido muros e fugido foram recapturados a cerca de 100 metros do local.

As equipes apelam por equipamentos e recursos capazes de operar em túneis longos e em terrenos instáveis, na esperança de encontrar mais sobreviventes enquanto os esforços de identificação e recuperação continuam nas áreas devastadas.

Publicado em 07/09/2026 — Catmandu e Pequim

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via Agência Brasil

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