Brasília — 13/09/2026, 16:22. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmou haver indícios de que o deputado federal Mário Frias teve papel de liderança em um esquema responsável pelo desvio de emendas parlamentares, cujo dinheiro teria sido usado, entre outras finalidades, para financiar o filme Dark Horse, inspirado na vida do ex‑presidente Jair Bolsonaro.
Dino, que é relator do procedimento no STF, tomou como base informações remetidas pela Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores do Foro Central Criminal Barra Funda, em São Paulo. Segundo o ministro, esses elementos reforçam a hipótese de protagonismo do parlamentar na arquitetura do suposto grupo criminoso.
Operação Make Up
Na quinta‑feira, 10 de setembro, o ministro autorizou a deflagração da chamada Operação Make Up. Em cumprimento à decisão, a Polícia Federal realizou 49 mandados de busca e apreensão distribuídos por São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
Entre os alvos das diligências estiveram o próprio deputado Mário Frias — que foi secretário especial da Cultura no governo Jair Bolsonaro e consta como um dos roteiristas do filme Dark Horse — e a empresária Karina Gama.
Relatórios da Controladoria‑Geral da União (CGU) apontaram irregularidades na destinação de R$ 2 milhões em emendas de Frias para duas entidades vinculadas a Karina Gama: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).
A prefeitura de São Paulo, acionada sobre contratos envolvendo o Instituto Conhecer Brasil, disse que não identificou irregularidade nos serviços prestados pela entidade. Em nota, a administração municipal afirmou que o Programa WiFi Livre mantém 3.200 pontos ativos e registra mais de 760 milhões de acessos; que a parceria passou por prestações de contas semestrais; e que as movimentações financeiras da organização não integram a relação contratual com a prefeitura. Essa posição foi incluída na versão atualizada da matéria às 16h57.
Vínculos com organização criminosa
No despacho, o ministro também registrou indícios de que o esquema de destinação e desvio de recursos públicos — envolvendo emendas federais e recursos da prefeitura de São Paulo — teria conexões com organizações relacionadas à facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Para Dino, a investigação aponta para um arranjo sofisticado de corrupção com ramificações que ultrapassariam a mera apropriação de verbas parlamentares.
A assessoria do deputado Mário Frias foi procurada para se manifestar sobre as alegações, mas não retornou até a publicação desta reportagem.
Texto ampliado às 16h57 para incluir posicionamento da prefeitura de São Paulo.
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via Agência Brasil