Por Lucas Pordeus León — Publicado em 22/09/2026 – 14:31. Local: Brasília.
Ao abrir a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou nesta terça-feira a possibilidade de recorrer à força militar em países da América Latina e do Caribe para resguardar o que chamou de interesses vitais dos EUA.
“Nossas ações na Venezuela provam que os EUA não permitirão mais que ameaças à América [EUA] ganhem terreno em qualquer parte do Hemisfério Ocidental. E, se necessário, usaremos nosso poderio militar inigualável para garantir os interesses nacionais vitais dos EUA”, disse Trump.
O discurso do presidente americano sucedeu a fala do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que destacou a proximidade da região com a maior potência militar do planeta e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. Lula também mencionou episódios recentes de interferência externa em países como Venezuela, Haiti e Cuba.
Trump citou diretamente a invasão da Venezuela, ocorrida em janeiro de 2026, e comemorou o que classificou como um acordo petroleiro firmado com a presidente encarregada Delcy Rodríguez, que prevê o controle de até 21% do petróleo venezuelano por uma empresa ligada ao Pentágono. Sobre a operação, o presidente afirmou: “Foi uma guerra, mas talvez seja o maior negócio já realizado. Ao vencedor pertencem os espólios; todos vocês já ouviram isso.”
Especialistas têm contestado termos usados pela administração americana para qualificar Caracas, como a classificação de “narcoestado”. Em junho de 2026, o Departamento de Justiça dos EUA deixou de sustentar acusações de que o presidente Nicolás Maduro liderava o suposto “Cartel de Los Soles”. Na semana anterior ao discurso na ONU, os Estados Unidos também retiraram a Venezuela da lista de países considerados insuficientes no combate ao narcotráfico, onde figurava desde 2005.
A fala de Trump incluiu ainda ameaças dirigidas a Cuba; a delegação cubana abandonou o plenário em sinal de protesto durante sua intervenção. Em outro trecho, o presidente norte-americano comparou cartéis de drogas da região a organizações terroristas e disse ter mobilizado as Forças Armadas para combatê‑los.
“Acionei as Forças Armadas dos Estados Unidos para eliminá‑los. Os cartéis são o ISIS do Hemisfério Ocidental”, afirmou Trump.
Autoridades e analistas internacionais têm advertido que a equiparação entre cartéis e grupos terroristas pode ser utilizada como justificativa para intervenções ou pressões externas na política interna de países latino‑americanos.
Ao citar o México, Trump disse manter boas relações com a presidenta Claudia Sheinbaum, mas classificou como inaceitável que os Estados Unidos tenham fronteira com um país que, segundo ele, virou “o epicentro da violência dos cartéis”. O presidente americano afirmou que o México precisa “retomar o controle de seu território das mãos dos inimigos da humanidade”.
Claudia Sheinbaum, por sua vez, tem criticado medidas externas que considera ingerência e defendido que a luta contra organizações criminosas não sirva de pretexto para intervenções estrangeiras.
O tom do discurso de Trump na sede da ONU intensificou debates sobre soberania regional e segurança hemisférica, temas já presentes nas falas de chefes de Estado que antecederam a abertura da Assembleia Geral.
Editor: Juliana Andrade.
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via Agência Brasil
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