Rio de Janeiro — 29/09/2026. Um levantamento do Instituto Trata Brasil sobre os planos de governo de 62 candidatos a governador revelou que apenas 13 (20%) apresentam propostas que contemplam de forma completa os quatro eixos considerados essenciais para o saneamento básico.
O recorte da análise considerou os postulantes com maior probabilidade de avançar nas eleições, segundo pesquisas de intenção de voto divulgadas entre 22 de agosto e 4 de setembro de 2026.
Para avaliar os documentos, o instituto adotou quatro dimensões da política de saneamento:
- planejamento, regionalização e coordenação visando à universalização;
- viabilização de investimentos e superação de gargalos;
- governança e regulação do saneamento básico;
- metas tangíveis (indicadores e prazos verificáveis).
Com base na presença e na profundidade desses temas nos planos, os candidatos foram distribuídos em quatro níveis:
- ausente — quando não há menção ao saneamento;
- superficial — abordagem limitada a apenas um eixo;
- transversal — desenvolvimento de dois ou três eixos;
- abrangente — tratamento dos quatro eixos.
O estudo aponta que todos os 62 candidatos abordaram pelo menos um dos eixos. Cinco propostas foram classificadas como superficiais. Outras 44 ficaram no nível transversal — sendo 15 que tratam de dois eixos e 29 que desenvolvem três — e 13 planos incluem os quatro eixos, recebendo a classificação de abrangentes.
A presidente-executiva do instituto, Luana Pretto, destacou que, embora o tema apareça com mais frequência do que em ciclos anteriores, muitas propostas ainda carecem de compromissos mensuráveis. Segundo ela, é comum os programas declararem a meta de universalização sem detalhar percentuais atuais e metas de entrega ao fim do mandato, além de omitir elementos de regulação técnica que fortalecem agências e garantem operação eficiente dos serviços.
Entre as ações específicas mais citadas nos planos, a universalização lidera, presente em 87% das propostas, seguida por drenagem (76%), saneamento rural (66%), investimentos (58%), regionalização (45%), atendimento a populações vulneráveis (35%), regulação (32%), estabelecimento de metas tangíveis (26%) e governança de dados (24%).
O instituto alerta que a mera menção ao saneamento não equivale a um compromisso estruturado: a presença do tema no debate eleitoral avançou, mas ainda falta profundidade, metas verificáveis e mecanismos de acompanhamento.
Luana Pretto também apontou exemplos preocupantes de estados com indicadores frágeis, citando Acre, Maranhão e Amazonas, onde, segundo ela, os candidatos em muitos casos praticamente não mencionam o saneamento. A dirigente ressaltou que, considerando o cronograma vigente, há pouco tempo para alcançar a universalização e que a falta de compromissos agora pode comprometer o alcance dessa meta.
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via Agência Brasil
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