Brasília, 01/10/2026 — Wellton Máximo, Repórter. A partir desta quinta-feira (1º), o Pix por aproximação deixa de ter um limite fixo de R$ 500 por transação. O Banco Central revogou o teto específico por meio da Instrução Normativa BCB nº 746, publicada em junho, possibilitando que cada cliente negocie com sua instituição financeira os valores máximos permitidos para essa modalidade.
O que muda
Até então, pagamentos por aproximação — feitos via tecnologia NFC (Near Field Communication) — não podiam ultrapassar R$ 500 por operação. Com a nova norma, essa restrição desaparece, mas não significa liberação automática para pagamentos de qualquer montante. O limite final será definido pelo banco com base nas configurações de segurança e nos valores autorizados para cada conta.
- O teto de R$ 500 deixa de ser obrigatório para todas as contas;
- Clientes poderão solicitar aumento ou redução do limite ao seu banco;
- Pagamentos por aproximação poderão superar R$ 500 desde que respeitem os limites da conta;
- As instituições financeiras deverão oferecer ferramenta de gestão desses limites no aplicativo;
- As regras gerais de segurança do Pix permanecem vigentes.
Não haverá um novo teto único nacional substituindo os R$ 500: um usuário, por exemplo, poderá realizar uma transação de R$ 600 ou R$ 1.000 por aproximação se o limite associado à sua conta permitir.
Como ajustar os limites
O ajuste deve ser feito pelo aplicativo da instituição financeira. Embora o fluxo possa variar entre bancos, a sequência padrão prevista é:
- abrir o app do banco;
- ir às configurações do Pix;
- acessar a área de limites ou do Pix por aproximação;
- solicitar aumento ou redução do valor;
- concluir a operação seguindo as etapas de autenticação exigidas pela instituição.
Mesmo com a flexibilização do teto, os mecanismos de defesa contra movimentações suspeitas e fraudes permanecem em operação.
Como funciona a modalidade
O Pix por aproximação usa NFC para comunicação entre o celular e a maquininha de pagamento, sem necessidade de digitar dados. Disponível desde fevereiro de 2025, a opção pode ser acionada pelo aplicativo do banco ou por carteiras digitais compatíveis. Para usar via carteira, é preciso vinculá-la à conta bancária por meio do aplicativo da instituição.
Fluxo básico de uso:
- informe ao caixa que pagará por Pix por aproximação;
- confirme no visor do estabelecimento o valor da cobrança;
- aproxime o celular da máquina;
- realize a autenticação exigida (se houver);
- confirme a operação.
Dependendo das configurações da conta e da carteira digital, a autenticação pode ser exigida antes da conclusão do pagamento.
Riscos e recomendações
Com a possibilidade de valores maiores por aproximação, usuários devem redobrar os cuidados para evitar golpes. Entre as medidas recomendadas pelos bancos e autoridades estão:
- verificar o valor exibido na maquininha e no celular antes de autorizar;
- confirmar a identidade do estabelecimento antes de aproximar o aparelho;
- manter o bloqueio de tela e outros métodos de autenticação ativos;
- não entregar o celular desbloqueado a terceiros;
- acompanhar notificações de transações e revisar periodicamente os limites configurados no app.
Contexto e adoção
O Pix foi criado pelo Banco Central em 2020 e tornou-se um dos principais meios de pagamento do país. Em agosto de 2026, o sistema movimentou mais de R$ 3,73 trilhões e registrou cerca de 8,11 bilhões de transações.
Embora o Pix por aproximação esteja em expansão, a adesão ainda é reduzida: em agosto de 2026 foram registradas cerca de 2 milhões de transações nessa modalidade, o que representa 0,06% do total do mês. O número, no entanto, cresceu em relação ao início do ano, quando a modalidade somou 1,06 milhão de operações em janeiro.
A alteração normativa também abrange pagamentos por Código QR, uso de chaves de acesso e operações iniciadas pela jornada sem redirecionamento (JSR) do Open Finance — mecanismo de compartilhamento de dados entre instituições financeiras.
Publicado em 01/10/2026 às 07:02 — Brasília.
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via Agência Brasil