Maior bancada conservadora no Congresso deve deslocar prioridades para segurança e valores a partir de 2027, diz professor da UnB

Maior bancada conservadora no Congresso deve deslocar prioridades para segurança e valores a partir de 2027, diz professor da UnB

política

Publicado em 06/10/2026 – 16:35 | Brasília
Autora: Daniella Almeida. Colaboração: Priscilla Mazenotti.

A ampliação da presença de partidos com orientação conservadora no Congresso Nacional e em governos estaduais deve redefinir a agenda legislativa a partir de fevereiro de 2027, com ênfase em segurança pública, pautas de valores e questões relacionadas à família. Essa é a avaliação do economista e cientista político Jeferson Ramos dos Santos, professor da Universidade de Brasília (UnB).

Caminho das campanhas e prioridades regionais

Segundo o professor, as campanhas locais concentraram-se em temas como segurança, custo de vida, valores e família — pautas que se consolidaram nas regiões responsáveis pela escolha de senadores, deputados estaduais e federais e de governadores. Para ele, esse conjunto de prioridades é um recado claro do eleitorado, embora, na visão do especialista, o governo federal não tenha abordado adequadamente essas questões durante a disputa.

STF na mira do Legislativo

Jeferson Ramos destaca que a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal teve impacto limitado nas urnas, porque “o STF não vai às urnas”, o que diminuiu o peso direto da temática no resultado eleitoral. Ainda assim, com uma maioria mais conservadora no Senado, ele prevê que a Corte será alvo de debates institucionais: podem surgir propostas para redesenhar pontos do funcionamento do Supremo, como alterar poderes de atuação individual de ministros e até discutir limites temporais para os mandatos.

Pauta trabalhista e o fim da escala 6×1

Na área trabalhista, a votação sobre o fim da escala 6×1 — regime em que o trabalhador cumpre seis dias seguidos de jornada e folga no sétimo dia — estava prevista para esta semana, conforme confirmação do presidente do Senado, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Porém, diante da alteração significativa na composição das duas Casas, o professor acredita que o ritmo de tramitação pode mudar: diante de incertezas, é comum que pautas sejam postergadas até que blocos e lideranças se reorganizem, o que pode adiar a ida do tema a plenário.

Segundo turno e cenário presidencial

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) avançaram para o segundo turno com a menor diferença registrada em um primeiro turno presidencial: aproximadamente 2,22 milhões de votos — o equivalente a 1,87 ponto porcentual — a favor do candidato Flávio. O professor ressalta que, com essa margem estreita e uma abstenção recorde, a corrida para o segundo turno em 25 de outubro permanece aberta e competitiva.

O horário eleitoral para o segundo turno retornou na sexta-feira, 9 de outubro. Candidatos à Presidência e concorrentes aos governos de seis estados e do Distrito Federal podem veicular propaganda até 23 de outubro, dois dias antes do pleito.

Impacto na nova legislatura

Jeferson Ramos destaca que o resultado presidencial pode influenciar a orientação das pautas aprovadas pela Câmara e pelo Senado a partir de 1º de fevereiro de 2027: se o poder Executivo ficar mais alinhado a um viés conservador, a tendência é que a agenda legislativa privilegie temas de segurança e valores e reduza o foco em propostas trabalhistas; se não, o resultado presidencial poderá reequilibrar ou frear esse movimento.

Leia também: Senado agenda cinco sessões para debater e votar PEC que acaba com a escala 6×1; 1º turno pode ocorrer em 15/10

via Agencia Brasil

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