Por decisão unânime tomada em 8 de setembro de 2026, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou a penalidade de R$ 20 milhões contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro por uma operação considerada fraudulenta no fundo imobiliário Brazil Realty. O Banco Master recebeu multa de R$ 12,5 milhões. Ao todo, 16 acusados — compostos por sete pessoas físicas e nove empresas — foram condenados, e o total de sanções financeiras aplicadas soma R$ 201 milhões.
Resumo dos números
- R$ 20 milhões: multa aplicada a Daniel Vorcaro;
- R$ 12,5 milhões: multa aplicada ao Banco Master;
- R$ 201 milhões: total das multas impostas pela CVM;
- R$ 5,8 milhões: prejuízo realizado identificado para investidores;
- 16 acusados: total de condenados no processo, segundo a autarquia.
Processo e julgamento
O procedimento administrativo foi aberto em 2020 pela área técnica da CVM para investigar supostas irregularidades na emissão e distribuição de cotas do fundo Brazil Realty. O julgamento ocorreu na sede da autarquia, no Rio de Janeiro, em 8 de setembro de 2026. O diretor João Accioly, relator do caso, votou pela condenação, posição seguida por todos os demais integrantes do colegiado.
Durante o andamento do processo houve duas suspensões por pedidos de vista. Tentativas de acordos foram apresentadas em momentos anteriores, mas foram rejeitadas pela autarquia. Solicitações de adiamento por parte da defesa também não foram acolhidas.
Como a CVM descreveu o esquema
Segundo a acusação considerada pela CVM, o esquema investigado combinou a sobreavaliação de imóveis e outros ativos usados na composição das integralizações da terceira emissão de cotas do fundo, iniciada em 2018. Nessa emissão o fundo recebeu R$ 139,1 milhões, em grande parte na forma de ativos físicos.
A área técnica apontou fragilidades e inconsistências em laudos de avaliação que serviram para atribuir valores aos bens. A CVM também identificou problemas na documentação de parte das integralizações realizadas nessa emissão.
Operações para criar liquidez no mercado secundário
Após a colocação das cotas, empresas ligadas aos investigados teriam feito operações no mercado secundário com o objetivo de gerar aparente liquidez para os papéis. A autarquia destacou o caso da Entre Investimentos, que realizou 177 operações envolvendo cerca de R$ 351 milhões em compras e R$ 358 milhões em vendas. A empresa afirmou, no processo, que suas transações visavam proporcionar liquidez aos investidores; a CVM entendeu, porém, que a dinâmica possibilitava negociações com base em preços artificialmente elevados.
Foi identificado um prejuízo realizado de R$ 5,8 milhões por fundos que negociaram os ativos, incluindo fundos com cotistas que eram regimes próprios de previdência de servidores.
Outros condenados e resultados das operações
Além de Daniel Vorcaro e do Banco Master, foram condenados familiares de Vorcaro — entre eles o pai, Henrique Moura Vorcaro, e o primo, Felipe Cançado Vorcaro — e empresas vinculadas às operações, como a Viking Participações e a Entre Investimentos, além de outros responsáveis e firmas relacionadas. As multas individuais do julgamento ficaram entre R$ 5 milhões e R$ 24 milhões. Três ex-diretores da Sefer Investimentos foram absolvidos.
Nos cálculos da CVM, o Banco Master participou da terceira emissão com aproximadamente R$ 16,8 milhões em dinheiro e obteve, nas operações subsequentes com cotas, resultado positivo de cerca de R$ 10,8 milhões. A Viking Participações teve resultado estimado positivo em R$ 837 mil, enquanto as operações atribuídas diretamente a Daniel Vorcaro apresentaram resultado negativo em torno de R$ 6,8 milhões.
Defesas e desdobramentos
A defesa de Daniel Vorcaro contestou a existência de provas individualizadas que demonstrem conduta irregular do ex-banqueiro. Em sessão, a advogada Ana Paula Casagrande afirmou não haver elementos concretos que indiquem o uso de meios fraudulentos para induzir investidores ao erro. Outros acusados também negaram a irregularidade das operações, alegando conformidade com práticas de mercado. A CVM, por sua vez, avaliou que os documentos reunidos no procedimento eram suficientes para caracterizar a operação como fraudulenta e responsabilizar os envolvidos.
Próximos passos
Os condenados poderão recorrer ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN). O processo administrativo da CVM corre de forma independente das investigações criminais que vêm sendo conduzidas pela Polícia Federal a respeito de pessoas e fatos relacionados ao Banco Master e a Daniel Vorcaro.
Fisicamente, o ex-banqueiro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025 durante a chamada Operação Compliance Zero, quando o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master. Posteriormente, ele também foi detido em março de 2026 em outra investigação policial.
Enquanto a esfera administrativa aplica sanções e permite recurso ao CRSFN, investigações penais seguem em apuração pelas autoridades competentes.
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via Agência Brasil
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