Brasília — A Polícia Federal informou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que está na posse do aparelho celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e do material original extraído dele, com lacres preservados e mecanismos de verificação de integridade digital.
No ofício entregue no domingo, 13 de setembro de 2026, a corporação afirmou ter “plenas condições técnicas” para remeter cópias idênticas dos dados a todos os ministros que solicitarem acesso. Os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin já manifestaram interesse em receber a íntegra do conteúdo.
O envio da informação pela PF foi resposta a um pedido de esclarecimentos feito por Fachin na noite de 12 de setembro. O presidente do STF havia cobrado da Polícia Federal detalhes sobre a custódia do material extraído do celular de Vorcaro e sobre o estado de conservação desses arquivos.
Fachin também citou a decisão do relator do caso Master, ministro André Mendonça, que negou acesso ao conteúdo a outros ministros. Mendonça afirmou que a mídia sob sua responsabilidade é uma cópia de segurança, lacrada e mantida inacessível, destinada apenas a ser utilizada em caso de perda ou extravio do original, que, segundo ele, está com a Polícia Federal.
A PF declarou ter recebido requisição do gabinete de Mendonça e, em atendimento, encaminhou a cópia dos dados solicitada ao relator.
Pressão por acesso integral
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se pronunciou no fim de semana, reiterando ao presidente do STF a necessidade de que todos os ministros tenham acesso integral aos dados extraídos do celular de Vorcaro antes da sessão marcada para terça-feira, 15 de setembro de 2026. A mesma solicitação já havia sido feita pela PGR em data anterior.
Fachin havia determinado a suspensão do sigilo das apurações relacionadas ao Banco Master, mas André Mendonça autorizou apenas liberação parcial do conteúdo, excluindo o acesso à mídia extraída do celular do ex-banqueiro mesmo para os ministros do STF. A PGR argumentou que a manutenção do material sob acesso restrito cria assimetria informacional entre os integrantes da Corte e compromete a paridade e a colegialidade necessárias ao julgamento, posicionamento expresso pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Com a PF afirmando estar apta a fornecer cópias idênticas dos arquivos, cabe ao STF decidir agora sobre a extensão do acesso ao conteúdo preservado e os próximos passos antes da sessão de 15 de setembro.
Por Marcelo Brandão. Publicado em 13/09/2026.
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via Agência Brasil