Fenaj alerta: 'tiktokização' e crise institucional estão abafando o debate sobre propostas nas eleições 2026

Fenaj alerta: ‘tiktokização’ e crise institucional estão abafando o debate sobre propostas nas eleições 2026

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Brasília, 15/09/2026 – 08:46. A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, afirma que a combinação entre uma crise político-institucional e uma lógica de comunicação voltada para resultados imediatos tem esvaziado a discussão sobre propostas concretas na corrida eleitoral de 2026.

Em entrevista, Samira disse que o chamado “caso Master”, cujas repercussões atingiram o Supremo Tribunal Federal (STF) e envolveram também a Polícia Federal, passou a monopolizar o noticiário, reduzindo o espaço dedicado aos programas de governo e às demandas da sociedade civil.

“Sofremos um processo violento de ‘tiktokização’ da campanha eleitoral. Tudo se resume à dancinha.”

Segundo a presidenta da Fenaj, esse fenômeno tem duas vertentes complementares: por um lado, veículos de comunicação competem pelas audiências imediatas — muitas vezes privilegiando cobertura declaratória, com foco em quem disse o quê —; por outro, candidaturas adotam estratégias de marketing superficial que priorizam formatos curtos e engajamento momentâneo nas redes sociais em detrimento de debates programáticos.

O efeito prático dessa dinâmica, afirma Samira, é que temas estruturais ficam relegados a um segundo plano mesmo com a proximidade do primeiro turno, marcado para 4 de outubro de 2026. A presidenta alerta que essa situação prejudica a sociedade organizada, cujas propostas deixam de ser debatidas em nível nacional e estadual.

Para reequilibrar a cobertura, a Fenaj defende que a imprensa insista em uma “segunda agenda”: manter a apuração da crise institucional, mas também reservar espaço sistemático para pautas de longo prazo, com apuração plural e fontes confiáveis, evitando vieses editoriais e o jornalismo apenas reativo.

Samira citou alguns temas que, na avaliação dela, carecem de aprofundamento no debate eleitoral:

  • mudanças climáticas e suas consequências para o país;
  • políticas sobre exploração e uso de terras raras;
  • a atração e regulação de data centers, assunto controverso por impactos econômicos, ambientais e geopolíticos.

A presidenta também ressaltou a necessidade de se examinar influências externas na agenda nacional, apontando a interferência de potências como os Estados Unidos como um tema que merece atenção no horizonte geopolítico.

Em sua avaliação, o jornalismo enfrenta o desafio de conciliar a cobertura de escândalos e crises — que, reconhece, atraem audiência — com o dever público de aprofundar pautas que afetam a vida cotidiana e o futuro do país. A Fenaj conclama profissionais e redações a priorizarem informações que promovam cidadania e contribuam para debates mais substantivos na campanha.

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via Agencia Brasil

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