Por Bruno de Freitas Moura — Rio de Janeiro. Publicado em 15/09/2026 – 10:28.
O comércio varejista do Brasil registrou queda de 0,8% na passagem de junho para julho, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) divulgada pelo IBGE nesta terça-feira (15). A média móvel trimestral, que elimina oscilações pontuais, apontou variação negativa de 0,1%.
O relatório ainda traz medidas acumuladas: o comércio avançou 1,8% no acumulado de 2026 e mostra variação positiva no período de 12 meses — a pesquisa traz números de séries distintas, com referência a 12 meses em 1,6% em algumas chamadas e 1,2% em outras medidas publicadas no balanço. Em relação ao período pré-pandemia (fevereiro de 2020), o nível de vendas está 10,6% acima, e fica 1,5% abaixo do pico registrado em março de 2026.
Impacto da Copa do Mundo
O IBGE relaciona parte da queda em julho à chamada “ressaca” da Copa do Mundo, ocorrida entre junho e julho. De acordo com Cristiano Santos, analista da pesquisa, muitos consumidores anteciparam compras de produtos vinculados ao evento — como televisores e álbuns de figurinhas — nas semanas anteriores, elevando a base de comparação de julho e pressionando os números do mês.
“É como se as pessoas tivessem concentrado a capacidade de consumo desses produtos que têm a ver com a Copa principalmente em maio.” — Cristiano Santos, analista do IBGE.
Segundo Santos, essa concentração de compras explica a queda observada em categorias diretamente relacionadas ao torneio.
Desempenho por segmento
Das oito atividades pesquisadas pelo IBGE, cinco registraram retração na passagem de junho para julho. Veja a variação por grupo:
- Móveis e eletrodomésticos: -4,9%;
- Livros, jornais, revistas e papelaria: -4,2%;
- Tecidos, vestuário e calçados: -2,7%;
- Outros artigos de uso pessoal e doméstico: -2,2%;
- Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: -0,2%;
- Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: +0,6%;
- Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação: +0,6%;
- Combustíveis e lubrificantes: +0,3%.
Na comparação acumulada em 12 meses, as vendas de móveis e eletrodomésticos exibiram crescimento de 3,9%.
“Todo mundo que iria comprar uma televisão aproveitou que teria Copa e comprou em maio”, exemplificou Cristiano Santos ao comentar a dinâmica das compras.
Varejo ampliado e contexto conjuntural
No comércio varejista ampliado, que inclui atacado e grupos como veículos e peças, material de construção e produtos alimentícios, bebidas e fumo, o indicador cresceu 0,4% de junho para julho e registra variação positiva de 1,2% no acumulado de 12 meses.
A PMC é a terceira das pesquisas conjunturais mensais do IBGE divulgadas no mês. Recentemente, o instituto também informou que o setor de serviços ficou estável em julho (variação de 0%), com alta de 2,4% em 12 meses, e que a produção industrial cresceu 0,2% no mês e 0,6% em 12 meses.
Em síntese, a queda de julho no varejo reflete, em parte, o efeito de base provocado pelo adianto de compras relacionadas à Copa do Mundo e aponta para uma desaceleração da trajetória de vendas nos últimos meses.
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via Agência Brasil
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