Por Paula Laboissière — Brasília, 18/09/2026 – 12:26
O Ministério da Saúde anunciou a ampliação e qualificação do cuidado especializado destinado a pessoas com doença renal crônica no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa tem como metas reduzir a progressão da doença, evitar descompensações e diminuir o número de casos graves.
No âmbito do programa Agora Tem Especialistas, a pasta implementou uma nova forma de organização do atendimento por meio das chamadas Ofertas de Cuidados Integrados (OCIs). Esses pacotes consolidados reúnem, em um único conjunto, consultas, exames e procedimentos, com remunerações que podem ser até 360% superiores às tabelas anteriores.
O que mudará na prática
As OCIs são desenhadas conforme o estágio da doença e as necessidades de cada paciente. Entre os serviços incluídos estão consultas especializadas, exames laboratoriais e de imagem, acompanhamento multiprofissional e procedimentos preparatórios para terapias renais substitutivas.
- Exemplo de alteração de valores: a preparação para hemodiálise passa a ser remunerada em R$ 3.000,63, ante R$ 940,22 anteriormente.
- O objetivo é reduzir o tempo entre as etapas do cuidado e assegurar seguimento contínuo dos pacientes, preparando-os no momento adequado para iniciar terapia renal substitutiva quando necessário.
Atualização do PCDT para anemia
O Ministério atualizou o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para o manejo da anemia na doença renal crônica. Entre as mudanças, foram incorporadas ao SUS novas opções terapêuticas, incluindo a carboximaltose férrica e a derisomaltose férrica, ampliando alternativas de tratamento para pacientes com deficiência de ferro associada à doença renal.
Transplante renal e encaminhamento precoce
O novo modelo também integra a trajetória do transplante renal na linha de cuidado da doença renal crônica. Com as OCIs, o acompanhamento especializado facilita a identificação precoce de pacientes que podem ser candidatos a avaliação para transplante, inclusive antes do início da diálise.
As normas do Sistema Nacional de Transplantes determinam que pessoas em estágio avançado da doença renal crônica — mesmo que ainda não estejam em diálise — sejam orientadas sobre a possibilidade de transplante e tenham acesso à avaliação especializada. Segundo o ministério, a organização do cuidado anterior à diálise contribui para preparar e encaminhar adequadamente esses pacientes para avaliação transplantológica.
Com a mudança, a expectativa é de maior coordenação entre os serviços e melhor acompanhamento multidisciplinar, o que pode reduzir internações e complicações decorrentes do atraso no diagnóstico e no tratamento adequado.
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via Agência Brasil