A Secretaria Municipal da Mulher de Búzios promoveu em 25 de agosto de 2026 a ação “Búzios por Elas”, que teve como uma de suas iniciativas a instalação de um Banco Vermelho na Praça dos Ossos. O objetivo do evento foi aproximar a população dos serviços municipais de proteção e ampliar o acesso a informações sobre atendimento e orientação para mulheres.
O assento pintado de vermelho foi dedicado à memória de Ângela Diniz — conhecida como “Pantera de Minas” — vítima de feminicídio em 30 de dezembro de 1976. O crime ocorreu na casa de veraneio de Ângela, na Praia dos Ossos, em Armação dos Búzios, e está diretamente relacionado à história do bairro, razão pela qual a praça foi escolhida para a homenagem.
O Banco Vermelho, símbolo de memória e denúncia do feminicídio, visa lembrar as mulheres assassinadas por razões de gênero e estimular a prevenção e o enfrentamento da violência contra mulheres por meio da visibilidade pública.
Sobre o caso de Ângela Diniz: ela tinha 32 anos quando foi morta a tiros por Raul Fernando do Amaral Street, conhecido como Doca Street. Segundo relatos do episódio, o crime ocorreu após uma discussão sobre o término do relacionamento; Doca chegou a disparar quatro tiros à queima-roupa contra a vítima.
O caso teve grande repercussão nacional e marcou o debate sobre violência de gênero no Brasil. Em 1979, no primeiro julgamento, a defesa — liderada pelo então advogado Evandro Lins e Silva — invocou a chamada “legítima defesa da honra”, alegando provocação da vítima. Na ocasião, Doca foi condenado a dois anos de reclusão e obteve o direito de cumprir a pena em liberdade, decisão que gerou forte reação pública e mobilizações feministas.
Pressionado pela indignação social, o processo foi anulado e submetido a novo julgamento, no qual Doca Street foi condenado a 15 anos de prisão por homicídio qualificado. A mobilização em torno do caso também ajudou a popularizar o lema “quem ama não mata”, que se tornou parte central das campanhas contra a violência doméstica.
A iniciativa realizada em Búzios integra esforços locais para conectar mulheres à rede de proteção municipal e lembrar que a prevenção ao feminicídio passa pela formação de políticas públicas, atendimento qualificado e pela manutenção da memória das vítimas.
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via Agência Brasil