Por Luiz Claudio Ferreira
Publicado em 07/09/2026 – 08:19. Local: Brasília.
Antes do amanhecer desta segunda-feira, a Esplanada dos Ministérios já reunia pessoas que acordaram de madrugada para garantir lugar e assistir ao desfile do 7 de Setembro. Entre os presentes havia moradores do entorno de Brasília e visitantes que vieram de outros Estados, alguns percorrendo longas distâncias.
Destaque entre os relatos foi o da aposentada Maria de Fátima Barbosa, de 71 anos. Moradora de Tocantinópolis (TO), ela saiu de casa em uma van rumo a Araguaína, viagem de pouco mais de duas horas, e em seguida embarcou em um ônibus que a levou por cerca de 1.000 quilômetros até a capital federal. A jornada total ultrapassou 15 horas; ela chegou a Brasília no sábado (6) e descansou antes de seguir para a Esplanada.
“Enquanto eu viver, eu venho para esse desfile”, disse Maria de Fátima, que também manifestou expectativa sobre as mensagens do desfile sobre a história de escravidão e opressão no Brasil.
A trajetória de vida da aposentada ilustra suas motivações: morou em Brasília na década de 1980 quando trabalhava como doméstica, retornou ao Tocantins e teve empregos informais, entre eles quebradeira de coco e separação de latinhas para viabilizar o sonho de comprar um sax. Concluiu, no ano passado, a licenciatura em educação do campo. Para ela, participar do desfile reforça o sentimento de pertencimento nacional.
Também chegaram cedo famílias da periferia do Distrito Federal. O casal Jorge Fernandes, 55 anos, pintor, e Adabel Daiane, 42 anos, dona de casa, saiu de Sobradinho 2 com a filha Maria Alice, de 8 anos, que pediu para ir ao desfile antes das 4h. Para a mãe, a ida ao evento é uma forma de construir memórias e transmitir sentimento de patriotismo; o pai, que já serviu no Exército, afirmou que nunca deixou de comparecer.
O ex-militar Maurício Batista, 33 anos, vestiu a bandeira do Brasil sobre a camisa — hábito que repete em todas as edições — e disse emocionar-se com a solenidade.
Havia ainda familiares de um paratleta da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) que participaria do desfile. O jovem, especialista nos 100 metros rasos, acordou antes das 4h, correu ao chegar à rodoviária e comentou que costuma completar a prova em menos de 12 segundos. A mãe, Maura, e os demais acompanhantes acompanharam a ansiedade e classificaram a expectativa como “inesquecível”.
O comparecimento de público de diferentes idades e origens reafirma a tradição do desfile na Esplanada dos Ministérios como celebração do Dia da Independência e momento de reunificação de lembranças e sentimentos cívicos por parte dos participantes.
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via Agência Brasil
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