O Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Macaíba, na Grande Natal, foi selecionado para receber o novo supercomputador brasileiro voltado à inteligência artificial. O investimento do governo federal supera R$ 1 bilhão e o anúncio foi feito em 20 de agosto de 2026.
De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o edital de compra será publicado no Diário Oficial da União. Os recursos virão do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
A infraestrutura planejada deve alcançar 7.200 petaflops — o que equivale, em termos teóricos, a 7,2 quintilhões de operações de ponto flutuante por segundo. Um petaflop corresponde a 1 quatrilhão de operações por segundo. Para efeito de comparação, o supercomputador Santos Dumont, no Rio de Janeiro, opera com 27 petaflops. Segundo o MCTI, a nova máquina colocará o Brasil entre os dez maiores centros de processamento do mundo.
A capacidade de computação será disponibilizada para empresas, universidades, instituições de pesquisa e governos, apoiando o treinamento de modelos, projetos científicos e desenvolvimento de aplicações em IA. A operação ficará a cargo do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).
O MCTI ressalta que o projeto busca reduzir a dependência externa: hoje, cerca de 60% do processamento ligado à inteligência brasileira ocorre fora do país. O edital preverá contrapartidas de transferência de tecnologia, capacitação, P&D, conteúdo local e participação de fornecedores nacionais, com a meta de formar 5 mil profissionais em cinco anos.
A iniciativa integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que articula ações para ampliar a infraestrutura tecnológica, qualificar mão de obra, promover transferência de tecnologia e fortalecer a governança e a soberania digital. Ao anunciar o equipamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o objetivo é oferecer oportunidades para que pesquisadores e jovens brasileiros possam desenvolver soluções de ponta no país.
A escolha do Rio Grande do Norte considera a estratégia de reduzir desigualdades regionais no acesso a tecnologias avançadas e a disponibilidade de energia renovável. O estado é líder nacional na produção de energia eólica.
Chips com arquitetura aberta
Em paralelo, o governo lançará um esforço para desenvolver chips baseados em RISC-V, arquitetura aberta que busca diminuir a dependência de soluções proprietárias. A iniciativa envolverá colaboração com cerca de 70 países e horizonte de 10 a 15 anos de desenvolvimento.
Essa frente será coordenada pelo Instituto Eldorado, em Campinas (SP), em cooperação com o ecossistema de inovação de Barcelona, na Espanha, visando ampliar o domínio brasileiro sobre tecnologias críticas para supercomputação e IA.
Parcerias em supercomputação e LLM nacional
Outra cooperação tecnológica prevê ampliar a infraestrutura de supercomputação no Rio de Janeiro por meio da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), em parceria com as empresas chinesas Huawei e Iflytek. Estão previstos transferência de tecnologia, parcerias de P&D, formação de profissionais e o desenvolvimento de uma pilha de software soberana.
Nesse escopo, também será criado um modelo de linguagem de grande escala (LLM) nacional e outros modelos de IA em português, para soluções mais aderentes ao idioma, aos dados e às demandas do Brasil. O investimento público estimado é de R$ 1,276 bilhão em cinco anos, com início das operações previsto para julho de 2027.
Em julho, o Brasil aderiu ao documento de criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (Waico), sediada em Xangai, que pretende impulsionar uma governança global de IA com base em modelos de código aberto.
Nuvem brasileira
O evento no RN também marcou a assinatura de um acordo entre o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Serpro e o BNDES para estruturar um projeto de infraestrutura nacional de armazenamento e processamento de dados. A meta é reduzir a dependência de grandes provedores estrangeiros.
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via Agência Brasil