Brasília, 28/08/2026 — Wellton Máximo
O dólar à vista encerrou a sexta-feira negociado a R$ 5,196, após uma sessão marcada pela reação dos mercados ao tom mais duro do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole. Apesar da apreciação da moeda norte-americana, a bolsa paulista manteve a rotina de ganhos e registrou sua oitava sessão consecutiva de alta.
Principais números
- Dólar à vista: R$ 5,196 (alta de 0,62% no dia);
- Dólar na semana: alta de 1,06%;
- Ibovespa: 175.664,62 pontos (alta de 0,30% no dia);
- Ibovespa na semana: alta de 2,71%.
Câmbio
A moeda brasileira acompanhou a valorização do dólar no exterior após o discurso de Warsh, em que o presidente do Fed afirmou que o banco central dos Estados Unidos terá “trabalho a fazer” se a inflação subjacente não voltar de forma clara e suficientemente rápida à meta de 2%. A sinalização reforçou apostas de uma alta de juros nos EUA já em setembro.
No pregão, o dólar abriu em R$ 5,1581, avançou ao longo da manhã e atingiu máxima intradiária de R$ 5,23 por volta das 13h18 (alta de 1,30%). Ao final do dia, desacelerou e fechou vendido a R$ 5,196, acumulando alta de 1,06% na semana. No acumulado do ano, a moeda ainda registra queda de 5,34%.
Nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos do Tesouro subiram: o papel de dois anos, sensível às expectativas de política monetária, avançou mais de 0,1 ponto percentual, chegando a 4,35%. O índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de seis moedas, subiu 0,57%, aos 99,668 pontos.
Mercado de trabalho e juros no Brasil
No cenário doméstico, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontou a criação de 58.568 vagas formais em julho, número abaixo do esperado pelas instituições financeiras. O resultado reforçou sinais de desaceleração no mercado de trabalho e reforçou a expectativa de que o Banco Central do Brasil poderá cortar a taxa Selic em setembro.
A expectativa predominante é de um recuo de 0,25 ponto percentual, reduzindo a Selic de 14% para 13,75% ao ano, com possibilidade de nova redução em novembro. Para comparação, a taxa básica de juros dos EUA está na faixa de 3,50% a 3,75% — diferença que influencia fluxos internacionais e o câmbio.
Ibovespa e fluxo de capitais
O principal índice da B3 superou os 176 mil pontos no início do pregão, mas perdeu força após o discurso de Warsh e fechou em 175.664,62 pontos, com alta de 0,30% — a oitava sessão de valorização seguida. No mês de agosto, o Ibovespa acumula queda de 1,31%; no ano, a alta é de 9,02%.
Dados de negociação mostram entrada líquida de recursos estrangeiros nos quatro pregões anteriores ao fechamento, totalizando R$ 1,3 bilhão. Apesar disso, o saldo acumulado em agosto permanece negativo em R$ 18,7 bilhões.
Bolsas nos Estados Unidos
Em Nova York, as principais praças fecharam em baixa, pressionadas pela possibilidade de política monetária mais restritiva do Fed. O Dow Jones recuou 0,02%, para 53.559,99 pontos; o S&P 500 caiu 0,25%, para 7.711,73 pontos; e o Nasdaq teve queda de 0,52%, a 26.402,42 pontos — sendo o índice de tecnologia o mais afetado, após forte alta na sessão anterior.
Resumo: a combinação de sinalizações mais rígidas do Fed e dados locais de emprego moldou o comportamento do câmbio e da bolsa. A trajetória das taxas de juros domésticas e americanas seguirá sendo o principal determinante dos movimentos nos próximos pregões.
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via Agência Brasil
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