Por Felipe Pontes — Brasília. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou a instauração de inquérito policial para apurar a participação do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em supostos crimes relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo documentos do processo, Flávio foi incluído como investigado em 22 de julho no caso que apura o repasse de R$ 61 milhões pelo ex-banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master. A Polícia Federal suspeita que o montante teria sido disponibilizado a pedido do senador.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro também consta entre os alvos: a investigação aponta que ele pode ter sido beneficiário de parte dos valores.
O inquérito foi aberto a pedido da Polícia Federal e autorizada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). No pedido encaminhado pela PF, constam indícios de possíveis crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, entre outros delitos conexos, no contexto do financiamento da obra cinematográfica junto ao Banco Master.
Na noite de quinta-feira (10), o ministro Mendonça tornou públicos, em parte, 15 procedimentos referentes à Operação Compliance Zero — investigação que apura supostas fraudes financeiras bilionárias e corrupção de agentes públicos atribuídas a Vorcaro e ao seu grupo. Apesar da publicidade sobre a abertura do inquérito com Flávio como investigado, Mendonça manteve sob sigilo o teor integral dessa investigação e as apurações envolvendo o Banco Master e o filme Dark Horse.
O levantamento do segredo de parte dos autos ocorreu após pedido do presidente do STF, ministro Edson Fachin, que solicitou a publicidade dos documentos relativos às apurações sobre o Banco Master, preservando apenas diligências cuja confidencialidade seja imprescindível.
Na quarta-feira (11), Mendonça homologou acordo de colaboração premiada do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, apontado pelas autoridades como responsável por repasses em espécie relacionados ao financiamento do filme.
A ligação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro ganhou notoriedade após a divulgação de áudios nos quais o senador aparece solicitando recursos para a produção do longa. Desde então, a defesa do parlamentar foi procurada pela reportagem; o senador não negou a autenticidade das gravações e afirmou que não há irregularidade em buscar recursos privados para custear a produção sobre a vida de seu pai.
- Data de inclusão de Flávio na investigação: 22 de julho.
- Valor investigado: R$ 61 milhões.
- Pessoa apontada como doador/operador dos repasses: Daniel Bueno Vorcaro (ex-banqueiro, dono do antigo Banco Master).
- Outros alvos: ex-deputado Eduardo Bolsonaro; doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior (“Mineiro”), com colaboração premiada homologada.
O caso segue sob apuração pelas autoridades competentes; o ministro Mendonça preservou trechos e diligências consideradas sigilosas no curso do inquérito.
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via Agência Brasil