Por Bruno de Freitas Moura — Rio de Janeiro. Publicado em 26/08/2026, 10:01.
A prévia da inflação de agosto, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), caiu 0,40% — a menor variação mensal desde agosto de 2022, quando registrou -0,73%. O resultado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (26) e reflete, principalmente, o desconto na conta de luz advindo do Bônus de Itaipu e a queda em preços de alimentos.
Em julho, o IPCA-15 havia avançado 0,06%. Com o desempenho de agosto, o índice acumula 4,24% nos últimos 12 meses.
Bônus de Itaipu e energia elétrica
O recuo no item energia elétrica residencial foi o componente individual que mais contribuiu para a deflação de agosto, com queda de 6,25% no mês e impacto de -0,26 ponto percentual no IPCA-15. Essa baixa está ligada à aplicação do Bônus de Itaipu, que reduziu o valor das contas de luz para consumidores.
Desempenho por grupos
Dos nove grupos que compõem o índice, cinco apresentaram deflação em agosto. A variação por grupo e o impacto no IPCA-15 foram:
- Alimentação e bebidas: -0,57% (impacto de -0,12 p.p.)
- Habitação: -1,41% (impacto de -0,22 p.p.)
- Artigos de residência: 0,04% (impacto desprezível)
- Vestuário: -0,20% (impacto de -0,01 p.p.)
- Transportes: -1,00% (impacto de -0,20 p.p.)
- Saúde e cuidados pessoais: 0,40% (impacto de 0,05 p.p.)
- Despesas pessoais: 0,66% (impacto de 0,07 p.p.)
- Educação: 0,46% (impacto de 0,03 p.p.)
- Comunicação: -0,02% (impacto desprezível)
Alimentos: queda em alimentação no domicílio
O grupo Alimentação e bebidas (-0,57%) foi influenciado sobretudo pela alimentação no domicílio, cuja variação foi de -0,97% no mês. Entre os alimentos que mais recuaram de preço estão:
- Tomate: -27,38%
- Batata-inglesa: -25,14%
- Cenoura: -17,05%
- Café moído: -2,31%
Transportes e combustíveis
O segmento Transportes registrou deflação de 1,00%, puxado pela passagem aérea, que caiu 13,30% no mês. Os combustíveis também tiveram influência negativa no grupo, com recuos médios de 1,43%: etanol (-3,63%), gasolina (-1,23%) e óleo diesel (-0,71%).
Metodologia e diferenças em relação ao IPCA
O IPCA-15 usa metodologia similar ao IPCA oficial, mas difere pelo período de coleta e pela abrangência geográfica. A pesquisa de preços do IPCA-15 referente a agosto foi realizada entre 16 de julho e 14 de agosto. O índice considera uma cesta de 367 produtos e serviços (dez a menos que o IPCA) e abrange 11 localidades: as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia. O IPCA oficial abrange 16 áreas geográficas.
Ambos os índices tomam como referência o padrão de consumo de famílias com rendimentos entre 1 e 40 salários mínimos; o valor do salário mínimo atualmente é de R$ 1.621.
Próximos passos e expectativas de mercado
O IPCA cheio de agosto será divulgado em 11 de setembro. A sondagem semanal do Banco Central junto a instituições do mercado financeiro, conhecida como boletim Focus, apontou na última segunda-feira (24) expectativa de inflação de agosto em -0,18%.
Os resultados do IPCA-15 são acompanhados por economistas e pelo próprio Banco Central, pois servem como referência para a trajetória da inflação e para decisões de política monetária, incluindo a manutenção ou ajuste da meta de inflação (3% em 12 meses, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo).
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via Agência Brasil
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