Sociedade civil entrega Carta com 27 propostas por segurança baseada na prevenção às campanhas de 2026

Sociedade civil entrega Carta com 27 propostas por segurança baseada na prevenção às campanhas de 2026

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Por Isabela Vieira — Publicado em 25/08/2026, 19:09 — Rio de Janeiro

Movimentos sociais, familiares de vítimas e organizações de 16 estados elaboraram uma Carta com 27 propostas de segurança pública que será apresentada aos candidatos nas eleições gerais de 2026. O documento foi fechado durante a 1ª Conferência Popular de Segurança Pública, realizada em Fortaleza no último fim de semana.

O texto coloca a prevenção da violência no centro da agenda e defende que a segurança não pode se resumir a policiamento e repressão. Propõe, em vez disso, a articulação de políticas públicas que garantam direitos, reduzam desigualdades e enfrentem discriminações estruturais.

Principais eixos e medidas

Entre as prioridades apontadas pela sociedade civil estão o controle e a responsabilização da atividade policial; medidas de controle de armas e munições; ações para redução da letalidade; e iniciativas para desmilitarizar as polícias e a vida social. O documento também pede proteção imediata para crianças, adolescentes e pessoas sob ameaça e exige o combate ao perfilamento racial nas abordagens policiais.

Edna Jatobá, articuladora do Fórum Popular de Segurança Pública do Nordeste e integrante do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop), afirmou que a Carta foi construída a partir da experiência de quem convive diariamente com a violência e a ineficácia do Estado. Ela ressalta que parte das propostas pode ser adotada de forma imediata por decisões administrativas — como a padronização do uso de câmeras corporais — enquanto outras exigem alterações legislativas e a previsão de recursos para iniciativas como comunicação popular, educação midiática e cidadania digital.

Transformar propostas em compromissos públicos

A intenção dos organizadores é levar a agenda a candidatos à Presidência, ao Congresso Nacional e aos governos estaduais, explicando, ponto a ponto, quais órgãos públicos têm competência para implementação. A Carta também sugere vincular repasses do Fundo Nacional de Segurança Pública a investimentos em ações preventivas.

Para Edna Jatobá, além de firmar compromissos, é fundamental incorporar os 27 pontos a instrumentos de planejamento e financiamento — planos de segurança, orçamentos, formação profissional, protocolos de atuação e sistemas de monitoramento — e fortalecer a participação e o controle social, com indicadores públicos sobre o avanço das medidas.

Como a agenda trata violência de gênero, racismo e alta letalidade

O documento inclui medidas específicas para enfrentar feminicídios e outras violências de gênero, assim como políticas direcionadas ao enfrentamento do racismo. Os organizadores destacam que certas populações e territórios sofrem impactos desproporcionais da violência, por isso as propostas levam em conta marcadores sociais como raça e local de moradia.

Para reduzir a alta letalidade entre jovens negros, a proposta combina políticas de prevenção social — acesso à renda, emprego, moradia, lazer e cultura — com mecanismos de controle externo da atividade policial, como ouvidorias e corregedorias independentes, além do uso de tecnologia de monitoramento.

Resumo da Carta: 27 pontos inegociáveis por uma segurança que proteja a vida

  1. Priorizar prevenção por meio de políticas sociais nos territórios;
  2. Enfrentar desigualdades e discriminações como estratégia de prevenção;
  3. Promover segurança cidadã, comunitária e participativa;
  4. Controlar armas e munições e reduzir a letalidade;
  5. Realocar mais recursos da segurança para prevenção e geração de oportunidades;
  6. Garantir proteção imediata a crianças, adolescentes e pessoas ameaçadas;
  7. Adotar abordagens sem violência, discriminação ou perfilamento racial;
  8. Fortalecer a Defensoria Pública nos territórios;
  9. Estabelecer controle da atividade policial e responsabilização por violações;
  10. Promover revisão permanente das prisões e combater o encarceramento ilegal;
  11. Superar a política da guerra às drogas em favor de cuidados e direitos;
  12. Oferecer cuidado integral e redução de danos a pessoas que usam álcool e outras drogas;
  13. Assegurar dados, transparência e participação social na política de drogas;
  14. Garantir direito à terra, moradia e permanência nos territórios;
  15. Investir em prevenção e políticas públicas locais;
  16. Promover segurança alimentar, agroecologia e proteção dos territórios populares;
  17. Garantir perícia independente para investigar violência de Estado;
  18. Controlar a atividade policial e tornar obrigatórias as câmeras corporais;
  19. Avançar na desmilitarização das polícias e da vida cotidiana;
  20. Redirecionar recursos da repressão para políticas de proteção da vida;
  21. Oferecer reparação e cuidado a vítimas e familiares da violência de Estado;
  22. Assegurar participação popular permanente nas políticas de segurança;
  23. Destinar financiamento público a organizações populares e proteger lideranças;
  24. Garantir proteção integral a defensores populares de direitos humanos;
  25. Regulamentar democraticamente plataformas digitais e o uso de inteligência artificial;
  26. Financiar comunicação popular, educação midiática e cidadania digital;
  27. Fortalecer a segurança digital e a proteção de crianças, adolescentes e comunidades tradicionais.

Monitoramento e participação

Os organizadores definem os 27 pontos como um patamar mínimo para uma política comprometida com a vida: redução de violências, enfrentamento ao racismo e às desigualdades, valorização de profissionais, transparência e controle da atividade policial e participação social continuada. A proposta prevê que a sociedade acompanhe a implementação por meio de indicadores e cobranças periódicas aos governos.

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via Agência Brasil

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