Tesouro Direto tem melhor julho da história: R$ 11,67 bilhões em vendas impulsionados pelo Tesouro Reserva

Tesouro Direto tem melhor julho da história: R$ 11,67 bilhões em vendas impulsionados pelo Tesouro Reserva

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Por Wellton Máximo — Brasília, 25/08/2026, 19:54.

As vendas de títulos públicos pela internet a pessoas físicas atingiram em julho o maior patamar já registrado para esse mês: R$ 11,67 bilhões, informou o Tesouro Nacional. O resultado constitui o terceiro maior volume do ano, atrás do recorde de março, quando as vendas somaram R$ 14,79 bilhões.

Em relação a junho, as vendas de julho cresceram 20,98%, com o mês anterior registrando cerca de R$ 9,64 bilhões. Na comparação anual, o avanço foi ainda mais forte: 60,65% acima do apurado em julho de 2025.

Preferência por títulos atrelados à Selic e novos produtos

Os papéis vinculados à taxa básica de juros foram os mais demandados em julho, respondendo por 51,2% das vendas. Entre eles, as Letras Financeiras do Tesouro (LFT) somaram R$ 4,18 bilhões, equivalendo a 35,8% do total negociado.

O Tesouro Reserva, título recém-lançado e indexado à Selic que funciona de forma semelhante às chamadas “caixinhas” de bancos digitais, captou R$ 1,79 bilhão em julho (15,3% do total). Títulos corrigidos pela inflação (indexados ao IPCA) representaram 27,1% das vendas, enquanto os pré-fixados responderam por 15,5%.

Produtos com objetivos específicos mantiveram participação menor: o Tesouro Renda+ (voltado ao financiamento de aposentadoria), lançado em 2023, respondeu por 4,3% das vendas, e o Tesouro Educa+, criado em agosto de 2023 para formação de poupança para ensino superior, representou 1,9%.

O apetite por papéis atrelados à Selic reflete o atual patamar elevado da taxa básica, que está em 14% ao ano, tornando esses títulos especialmente atrativos. A demanda por títulos corrigidos pela inflação também se sustenta na expectativa de aumento do IPCA nos próximos meses.

Estoque, captação líquida e perfil dos investidores

O estoque total do Tesouro Direto chegou a R$ 272,26 bilhões ao fim de julho, alta de 3,73% frente a junho (R$ 262,47 bilhões) e de 46,58% em relação a julho de 2025 (R$ 185,74 bilhões). A elevação decorreu tanto da correção pelos juros quanto do fato de que as vendas superaram os resgates em R$ 7,37 bilhões no mês.

Em julho, 270.502 novos investidores passaram a integrar o programa, elevando o total cadastrado a 36.124.180. Em 12 meses, o número de investidores cresceu 9,51%. O total de investidores ativos—aqueles com operações em aberto—alcançou 3.808.491, aumento de 22,89% no período de um ano.

O perfil das operações indica forte participação de pequenos investidores: das 1.444.518 vendas realizadas em julho, 78,4% tiveram valor de até R$ 5 mil; só as aplicações de até R$ 1 mil representaram 55,5% do total. O valor médio por operação ficou em R$ 8.076,26.

Quanto ao horizonte de vencimento, os títulos de até cinco anos responderam por 43,4% das vendas; os de cinco a dez anos, 39,8%; e os de prazo superior a dez anos, 16,8%.

O relatório completo do mês está disponível na página do Tesouro Transparente.

O que é o Tesouro Direto

Criado em janeiro de 2002, o programa permite que pessoas físicas adquiram títulos públicos federais diretamente do Tesouro Nacional pela internet, sem necessidade de intermediação bancária. Nas operações há cobrança de uma tarifa à B3, descontada nas movimentações dos títulos. A venda de papéis pelo Tesouro Direto é uma das formas que o governo usa para captar recursos destinados ao pagamento de compromissos públicos; em contrapartida, o Tesouro se compromete a devolver o capital com o adicional previsto pelo tipo de título (variação da Selic, do IPCA, câmbio ou taxa predefinida).

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via Agência Brasil

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