Brics em Nova Délhi reafirma apelo por reforma da governança global e apoio ao Brasil e à Índia

Brics em Nova Délhi reafirma apelo por reforma da governança global e apoio ao Brasil e à Índia

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Por Pedro Peduzzi — Repórter. Publicado em 16/09/2026 – 13:01. Brasília.

Os líderes reunidos na 18ª Cúpula do Brics, realizada em Nova Délhi, divulgaram uma declaração final que consolida os entendimentos do bloco sobre governança global, comércio, clima, tecnologia, segurança e cooperação entre países em desenvolvimento.

O grupo, hoje constituído por 11 países — Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã — representa cerca de 39% da economia mundial, 48,5% da população do planeta e 23% do comércio global.

Prioridade: reforma das instituições multilaterais

No documento, os integrantes reiteram compromisso com o multilateralismo e pedem mudanças nas estruturas de governança internacional para que estas reflitam melhor a realidade atual. O texto aponta a necessidade de ampliar a participação de países em desenvolvimento em organismos como a Organização das Nações Unidas (ONU) e outras instâncias decisórias.

Além disso, o comunicado registra que China e Rússia declararam apoio às aspirações do Brasil e da Índia por um papel mais relevante das duas nações nas Nações Unidas, inclusive em um eventual Conselho de Segurança reformado. O bloco defende uma reforma que torne esses órgãos mais democráticos, representativos, eficazes e eficientes, com maior participação de países do Sul Global.

Banco do Brics e financiamento ao desenvolvimento

A declaração destaca o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do Brics, como mecanismo estratégico para financiar infraestrutura e iniciativas de desenvolvimento sustentável. Os líderes incentivam o banco a ampliar sua capacidade de captação e de mobilização de recursos, aumentar operações em moedas locais, diversificar fontes de financiamento e apoiar projetos que reduzam desigualdades e promovam integração econômica.

O texto também registra o apoio à ampliação do quadro de membros do NDB e à análise de pedidos de adesão de países interessados. Foi anunciado o lançamento de um portal de conhecimento, fruto de parceria entre o Brics e o NDB, destinado a compartilhar experiências, boas práticas e informações sobre projetos financiados pela instituição.

Mecanismos de pagamentos e integração financeira

Os líderes trataram da modernização dos mecanismos de pagamento entre os Estados-membros. Sem citar sistemas específicos, a declaração defende princípios alinhados a tecnologias de pagamentos instantâneos — como interoperabilidade entre plataformas, facilitação de pagamentos transfronteiriços, integração de canais de mensagens financeiras e maior utilização de liquidações em moedas locais.

O objetivo é desenvolver soluções que tornem as transações internacionais mais rápidas, baratas, acessíveis, eficientes, transparentes e seguras, promovendo, assim, maior conectividade financeira intrabloco.

Prioridades brasileiras e agenda do Sul Global

Entre os pontos de maior interesse do Brasil, o documento reforça a defesa de uma reforma abrangente da ONU e do Conselho de Segurança, considerada prioridade histórica da diplomacia brasileira. O bloco sustenta que as atuais estruturas multilaterais devem ser ajustadas para incorporar melhor os países em desenvolvimento.

A declaração sublinha ainda o papel do chamado Sul Global na formulação de respostas à desaceleração econômica, ao protecionismo, às mudanças tecnológicas e às crises climáticas. Os líderes reafirmam compromisso com a Agenda 2030 da ONU, a erradicação da pobreza e a promoção da igualdade.

O texto condena o racismo, a xenofobia e outras formas de discriminação, bem como o aumento de discursos de ódio e desinformação, e pede maior representação feminina em cargos de liderança em organismos internacionais.

Economia, comércio e preocupações com protecionismo

Na parte econômica, o Brics defende aprofundar a cooperação para estimular crescimento sustentável, inovação e redução de desigualdades. Os líderes apoiam a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a manutenção de um sistema comercial multilateral baseado em regras.

Ao mesmo tempo, expressam preocupação com o aumento de medidas tarifárias e não tarifárias que possam violar normas internacionais e criticam políticas protecionistas que prejudicam o comércio global. Para ampliar o comércio interno ao bloco, o documento prevê iniciativas como o fortalecimento das cadeias globais de valor entre integrantes, facilitação do comércio agrícola intrabloco, digitalização de documentos comerciais, cooperação logística e a criação de uma plataforma de comercialização de grãos — a Brics Grain Exchange.

Em um momento marcado por tensões geopolíticas, conflitos e pressões comerciais, a declaração final do encontro em Nova Délhi busca consolidar a voz coletiva dos países do Brics em fóruns como a ONU, o G20 e a OMC, articulando prioridades que deverão ser levadas a esses e outros fóruns multilaterais.

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via Agência Brasil

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