Por Vitor Abdala — Rio de Janeiro | 18/09/2026 – 12:03
O Censo Demográfico 2022, divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (18), revela que a taxa de analfabetismo entre pessoas com deficiência de 15 a 29 anos chegou a 12,2% em 2022 — cerca de 12 vezes maior que os 1% registrados entre jovens sem deficiência nessa mesma faixa etária.
A pesquisadora do IBGE Luanda Botelho observa que, embora parte da diferença se explique pela maior concentração de pessoas com deficiência entre idosos (gerações historicamente menos escolarizadas), a elevação do analfabetismo também aparece claramente entre os jovens, indicando que a desigualdade transcende a explicação puramente geracional.
Tipos de deficiência e taxas de analfabetismo
O levantamento detalha variações importantes conforme o tipo de limitação:
- Dificuldades associadas às funções mentais: 40,4% de analfabetismo;
- Mais de um tipo de deficiência: 34,0%;
- Dificuldade para pegar objetos pequenos: 31,3%;
- Dificuldade para caminhar ou subir escadas: 23,3%;
- Dificuldade de ouvir: 10,0%;
- Dificuldade de enxergar: 3,5% (mais que o triplo da taxa entre pessoas sem deficiência).
Acesso à educação básica
A presença na escola também é menor entre estudantes com deficiência. Para crianças de 6 a 14 anos, a frequência era de 92,6% entre as com deficiência, ante 98,4% entre as sem deficiência. Entre jovens de 15 a 17 anos, as taxas foram de 79,5% (com deficiência) e 85,4% (sem deficiência).
Quando se considera pessoas com deficiência profunda — que não conseguem ouvir, pegar objetos ou caminhar — os índices de inclusão caem ainda mais: 82,3% de frequência para crianças de 6 a 14 anos e 65,6% para jovens de 15 a 17 anos.
Acessibilidade nas escolas (Censo Escolar 2025)
O Censo Escolar 2025 apontou a presença dos seguintes recursos nas escolas do país:
- Banheiro acessível: 57%;
- Sala de recursos multifuncionais: 30%;
- Profissional de apoio: 26,2%;
- Escolas com pelo menos um desses itens: 78,5%.
Houve diferenças entre redes: a rede privada tinha maior proporção de banheiros acessíveis (64,4% contra 54,8% na pública), enquanto a rede pública apresentava mais profissionais de apoio (32,8% contra 4,6% na privada). As salas de recursos multifuncionais estavam em 34,5% das escolas públicas e em 15,2% das privadas.
Ensino superior
O número de estudantes com deficiência matriculados no ensino superior quase triplicou entre 2014 e 2024, passando de 33.377 para 95.572. A participação desses alunos nas matrículas de graduação subiu de 0,43% para 0,93% do total.
O crescimento foi mais expressivo na graduação a distância: matrículas presenciais subiram de 26.637 para 50.609, enquanto os cursos a distância passaram de 6.740 para 44.963 — um aumento superior a seis vezes.
Os indicadores do IBGE reforçam que, apesar de avanços na presença de pessoas com deficiência na educação superior, persistem lacunas significativas na alfabetização, na permanência escolar e na infraestrutura de acessibilidade, exigindo atenção de políticas públicas e das redes de ensino.
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via Agência Brasil
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