A ex-deputada Carla Zambelli apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de salvo‑conduto para permitir seu retorno temporário ao Brasil com a finalidade de votar em sua mãe, Rita Luzia Zambelli Salgado, candidata a deputada federal pelo PL em São Paulo.
O pedido foi protocolado em 22 de setembro de 2026 e enviado ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, que também é relator do requerimento de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes relativo ao caso do Banco Master.
Na peça, a defesa afirma que existem mandados de prisão em aberto contra Zambelli e que a Justiça italiana recusou a extradição para o Brasil por considerar controversa a imparcialidade da Primeira Turma do STF — colegiado responsável por condenações anteriores da ex-parlamentar. Os advogados mencionam ainda a pendência do pedido de investigação contra Alexandre de Moraes, que segundo a defesa não foi votado pelo plenário, como elemento que lança dúvida sobre a idoneidade do magistrado, relator dos processos envolvendo Zambelli.
“Circunstâncias que recomendam a preservação cautelar da liberdade até a conclusão da apuração judicial em curso.”
A defesa sustenta que, diante desse quadro, Zambelli tem o direito de vir ao Brasil para exercer o voto sem risco de prisão. Segundo a petição, o risco de detenção na entrada, na permanência ou na saída do País inviabilizaria o exercício desse direito, justificando a tutela preventiva da liberdade de locomoção.
No pedido ao STF, a ex-deputada solicita autorização para chegar ao Brasil em 3 de outubro de 2026, votar em 4 de outubro e embarcar de volta à Itália em 5 de outubro.
Contexto das condenações
Carla Zambelli, ainda filiada ao PL de São Paulo, foi condenada pela Primeira Turma do STF em 2025 a 10 anos de prisão pelos crimes de invasão de sistema informático e falsidade ideológica. Segundo a decisão, ela liderou em 2022 a invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com o objetivo de inserir um mandado de prisão falso contra Alexandre de Moraes, na tentativa de deslegitimar o Poder Judiciário às vésperas das eleições.
No mesmo ano, 2025, Zambelli recebeu outra condenação no STF — 5 anos e 3 meses de prisão, com início em regime semiaberto — por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, em investigação relacionada à perseguição do jornalista Luan Araújo nas ruas de São Paulo, dias antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2022.
Saída do país e tramitação na Itália
Após a primeira condenação, antes da expedição da ordem de prisão, Zambelli utilizou passaporte europeu para viajar para os Estados Unidos e, em seguida, à Itália, onde solicitou refúgio alegando perseguição política.
A ex-deputada chegou a ser presa em Roma a pedido do Brasil, que requereu sua extradição. Uma primeira instância italiana havia concedido a extradição, mas a decisão foi anulada por um tribunal de apelação, que considerou duvidosa a atuação de Alexandre de Moraes por ele ser, simultaneamente, juiz e parte no processo, o que influenciou a avaliação sobre a entrega ao Brasil.
O pedido de salvo‑conduto agora será analisado no âmbito do STF, cabendo ao presidente da Corte adotar as providências processuais para a distribuição e eventual decisão.
Brasília, 23 de setembro de 2026.
Leia também: Governo Milei: 31,3 mil empresas fecham e 245,6 mil empregos formais são perdidos até junho de 2026
via Agência Brasil
1 thought on “Zambelli solicita ao STF salvo‑conduto para retornar ao Brasil e votar na mãe em outubro”