Chongqing: a metrópole de 32 milhões que impulsiona a transformação econômica da China

Chongqing: a metrópole de 32 milhões que impulsiona a transformação econômica da China

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Por Lucas Pordeus León — Enviado Especial

Publicado em 19/09/2026 – 17:03 | Chongqing (China)

Chongqing, município do sudoeste chinês que abriga cerca de 32 milhões de pessoas, sintetiza as mudanças econômicas e sociais vividas pela China nas últimas cinco décadas: de nação rural a potência industrial e tecnológica. A metrópole combina áreas históricas e tradicionais com densos centros urbanos de arranha-céus, extensos viadutos e soluções urbanas inusitadas, como a estação de metrô Liziba, cuja linha passa por dentro de um edifício.

Escala territorial e população

Com 82,4 mil quilômetros quadrados, Chongqing é — em extensão territorial — o maior município do mundo, em área quase o dobro do estado do Rio de Janeiro (43 mil km²). Do total de habitantes, aproximadamente 8 milhões concentram-se na área urbana principal; os demais 24 milhões residem em 37 distritos do município.

Polo industrial estratégico

Desde 1997, quando foi elevada à condição de município diretamente subordinado ao governo central, Chongqing tornou-se destino prioritário das políticas de desenvolvimento nacional. Hoje, 39 das 41 grandes indústrias chinesas e todas as 31 principais categorias de manufatura do país têm presença na região.

  • São cerca de 19 fabricantes completos de veículos e mais de 1,2 mil empresas de autopeças instaladas na cidade.
  • A produção de carros elétricos é visível no espaço urbano: estações de recarga e ausência de ruído de motores atestam o avanço do setor automotivo elétrico.
  • Além do setor automotivo, a região concentra indústrias de equipamentos militares, tecnologia nuclear, construção naval e aeroespacial.

Logística e integração internacional

Chongqing também se firmou como importante nó logístico da Nova Rota da Seda, o ambicioso projeto chinês de integração comercial e de infraestrutura. Produtos fabricados na metrópole alcançam mercados da Europa, da Ásia Central e da Rússia por meio de mais de 1,3 mil quilômetros de linhas ferroviárias de alta velocidade e mais de 4,7 mil quilômetros de rodovias expressas. O rio Yangtzé, que corta o município, permite o escoamento fluvial até o porto de Xangai, a cerca de 1,4 mil quilômetros de distância.

Cidade, turismo e ambiente

A intensa vida cultural e comercial, somada a uma culinária local conhecida pelo uso acentuado de pimentas e pelo ‘hot pot’ — espécie de fondue chinês em que alimentos são cozidos à mesa — tem colocado Chongqing entre destinos turísticos de destaque.

No Fórum da Civilização do Rio Yangtzé, realizado na última semana, Yuan Jiajun, secretário do Comitê Municipal do Partido Comunista da China em Chongqing, afirmou que a cidade busca concretizar o conceito de “civilização ecológica” delineado pelo presidente Xi Jinping. Segundo ele, a transformação de Chongqing demonstra “a poderosa força da verdade e a grande capacidade prática do pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era”.

“A prática dinâmica da construção de uma nova Chongqing moderna comprova plenamente a poderosa força da verdade e a grande capacidade prática do pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era.” — Yuan Jiajun

Diálogo ambiental e cooperação acadêmica

O pesquisador brasileiro André Pereira Reinnert Tokarski, do Centro Universitário Alves Faria (Unialfa), que esteve em Chongqing pela segunda vez para visitar fábricas e centros de pesquisa, ressalta a mudança na relação da cidade com o rio Yangtzé: “A cidade vivia brigando com o rio, lutando para sobreviver às suas enchentes e deslizamentos. Depois, passou a se reconciliar e a adaptar-se à natureza”. Tokarski coordena um projeto de cooperação Brasil-China que compara mecanismos de governança dos rios Yangtzé e Amazonas.

Para especialistas e autoridades locais, as iniciativas de desenvolvimento econômico e de proteção ambiental na região exemplificam a tentativa de conciliar crescimento industrial com melhoria das condições de vida e da sustentabilidade ambiental, no que o governo chinês denomina “civilização ecológica”.

O repórter viajou a convite do Comitê Municipal do Partido Comunista Chinês em Chongqing e da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS).

Crédito da imagem: Foto de Lucas Pordeus León

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via Agência Brasil

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