O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parte neste domingo, 20 de setembro de 2026, com destino a Nova York para participar da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. O retorno ao Brasil está previsto para a noite de terça-feira, 22 de setembro, após seu pronunciamento na sessão de alto nível.
No discurso de abertura, agendado para a manhã de 22 de setembro, a delegação brasileira deve enfatizar a defesa do multilateralismo como pilar da política externa, citando a negociação e o respeito ao direito internacional humanitário como encaminhamentos prioritários para a solução de disputas. O presidente também abordará a posição do Brasil sobre os principais temas da agenda internacional, em um cenário marcado pela multiplicação de conflitos globais.
Reforma do Conselho de Segurança
Entre os pontos a serem apresentados, está a defesa de uma reforma das Nações Unidas, com ênfase na atualização da composição e do funcionamento do Conselho de Segurança. O governo brasileiro argumenta que o órgão atualmente tem dificuldades para responder de forma eficaz a crises internacionais e defende mudanças que tornem suas decisões mais representativas e eficazes.
Agenda e encontros bilaterais
Além do pronunciamento, Lula terá reuniões bilaterais com chefes de Estado ainda não divulgadas oficialmente e um encontro confirmado com o secretário-geral da ONU, António Guterres, que se encontra na fase final de seu mandato. Também está prevista uma reunião com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, do Partido Democrata.
A chegada da comitiva à cidade ocorrerá na noite de domingo, com encontros reservados ao longo de segunda-feira, 21 de setembro. Na terça-feira, 22 de manhã, ocorrerá o encontro com Guterres seguido do discurso do presidente na Assembleia Geral, com retorno ao país já no mesmo dia.
Possibilidade de encontro com Donald Trump
Não há confirmação oficial sobre um encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Trump falará em sequência ao presidente brasileiro na ordem de oradores da Assembleia e, caso ambos coincidam nos bastidores, um encontro eventual dependerá de ajustes de agenda. No ano anterior, em 2025, os dois líderes tiveram um breve contato após os respectivos discursos; na ocasião Trump afirmou ter havido “química excelente” entre eles.
Atuação do Itamaraty e agenda ministerial
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá em Nova York durante toda a semana para participar de reuniões e fóruns ministeriais, incluindo encontros do Brics, do Fórum Índia-Brasil-África do Sul (IBAS), do G77, do G4, do L69 e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), além de atividades da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e do Consenso de Brasília.
Mauro Vieira presidirá duas reuniões ministeriais: no dia 23 de setembro ele coordenará o encontro da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza — iniciativa lançada pelo Brasil durante sua presidência do G20 — e, em 24 de setembro, conduzirá a reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas). O Brasil assumiu a presidência da Zopacas após a 9ª Reunião Ministerial, realizada em abril, e desempenhará o cargo por três anos.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, que é copresidente da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, participará de atividades entre 21 e 23 de setembro voltadas a segurança alimentar, proteção social e financiamento para o desenvolvimento, incluindo o encontro da Aliança no dia 23.
Participação da delegação brasileira
A delegação do Brasil também integrará debates e reuniões no âmbito do Conselho de Segurança da ONU, além de participar de encontros sobre a situação da Palestina e a proposta de solução de dois Estados, combate à desigualdade, Comissão de Consolidação da Paz e temas relacionados ao direito internacional humanitário.
Além de Mauro Vieira e Wellington Dias, a comitiva inclui a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; o ministro dos Povos Indígenas, Luiz Eloy Terena; e a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, que estarão envolvidos em atividades vinculadas às competências de suas pastas.
Contexto histórico
Esta será a 11ª participação de Lula na Assembleia Geral das Nações Unidas como presidente da República — ele não compareceu apenas em 2010, ao longo de seus três mandatos.
via Agencia Brasil