Por Pedro Peduzzi — Brasília, 21/09/2026
O mercado financeiro passou a estimar que a taxa básica de juros (Selic) fechará 2026 em 13,50%, ante projeção anterior de 13,75%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (21) pelo Banco Central. A mudança sinaliza que analistas aguardam mais uma redução da Selic ainda neste ano.
Essa revisão ocorre cinco dias depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) ter cortado a Selic em 0,25 ponto percentual, deixando a taxa em 13,75% ao ano — patamar usado pelo Banco Central como principal ferramenta para atingir a meta de inflação.
Projeções de juros e inflação
Além da nova previsão para o fim de 2026, o mercado manteve a estimativa da Selic para 2027 em 12% ao ano. As projeções para 2028 e 2029 permaneceram em 10,50% e 10%, respectivamente.
Quanto à inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o boletim elevou ligeiramente a expectativa para 2026, de 4,90% para 4,92%. As previsões para 2027 e 2028 foram mantidas em 4,30% e 3,80%, na ordem.
Por que a Selic afeta preços e consumo
A Selic é o principal instrumento de política monetária do Banco Central para controlar a inflação. Juros mais altos encarecem o crédito, freiam o consumo e tendem a reduzir a pressão sobre os preços, ao passo que cortes na Selic buscam estimular a atividade econômica ao facilitar o acesso ao crédito e incentivar investimentos.
Na definição das taxas cobradas aos consumidores, os bancos também levam em conta fatores como risco de inadimplência, margens de lucro e custos administrativos, além da trajetória esperada da Selic.
Outras estimativas divulgadas
- PIB: a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto para 2026 caiu de 1,89% para 1,88%; para 2027 a estimativa recuou de 1,45% para 1,43%; para 2028 permanece em 1,87%.
- Câmbio: projeções estáveis em R$ 5,20 para 2026; R$ 5,28 para 2027; e R$ 5,30 para 2028.
O Boletim Focus é uma pesquisa semanal que consolida expectativas de analistas do mercado financeiro sobre variáveis macroeconômicas, compilada pelo Banco Central. As revisões desta edição reforçam a leitura de que o ciclo de flexibilização dos juros deverá seguir nos próximos meses, na medida em que a inflação permanece relativamente contida.
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via Agência Brasil
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