Por Wellton Máximo — Repórter | Brasília, 26/08/2026, 21:14
A Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, avanço de 5,9% em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação com o primeiro trimestre do ano, o ganho foi 12,4% superior.
Apesar do desempenho trimestral, o acumulado do primeiro semestre ficou em R$ 7,4 bilhões, uma queda de 17,6% na comparação anual.
Ganhos com margem financeira e expansão do crédito
A margem financeira do banco — receita líquida proveniente de operações com juros — somou R$ 19,7 bilhões no trimestre, alta de 20,2% em 12 meses. O crescimento das operações de crédito foi o principal motor desse resultado.
Em junho, a carteira de crédito total da instituição atingiu R$ 1,448 trilhão, o que representa um aumento de 11,9% em relação a junho de 2025 e de 2,7% ante o trimestre anterior.
O financiamento habitacional segue como o principal produto da Caixa, respondendo por 69,4% da carteira total. O saldo da carteira imobiliária alcançou R$ 1,005 trilhão, crescimento de 15% em 12 meses. Entre abril e junho, as contratações de crédito imobiliário somaram R$ 137,6 bilhões, alta anual de 29,3%.
A instituição manteve liderança no mercado habitacional, com participação próxima de 68%.
Outros segmentos também exibiram expansão no último ano:
- Crédito a pessoas físicas: R$ 156,5 bilhões (+8,7% em 12 meses);
- Crédito a empresas: R$ 113,9 bilhões (+6,5%);
- Carteira total: R$ 1,448 trilhão (+11,9%).
Inadimplência em alta, com foco no agronegócio
O crescimento do crédito veio acompanhado de maior atraso nos pagamentos. O índice de operações vencidas há mais de 90 dias subiu para 3,64%, contra 2,66% no mesmo trimestre de 2025.
O segmento de agronegócio concentrou o maior aumento de risco: a inadimplência passou para 20,74% no segundo trimestre de 2026, ante 7,02% no período equivalente de 2025.
Nas demais carteiras, os índices de atraso superior a 90 dias ficaram em 6,29% para pessoa física, 14,05% para pessoa jurídica, 1,45% para crédito imobiliário e 0,03% em infraestrutura. A carteira habitacional, que domina a estrutura de empréstimos, apresentou taxa de inadimplência bem inferior às demais modalidades.
Provisões e impacto na rentabilidade
Em resposta ao aumento do risco de crédito, a Caixa elevou as provisões para cobrir potenciais perdas. A despesa com provisões para devedores duvidosos somou R$ 6,97 bilhões no trimestre, aumento de 97,6% em relação ao segundo trimestre de 2025 e de 6,9% em comparação com o primeiro trimestre de 2026.
Segundo o banco, a forte concentração da carteira em financiamentos habitacionais e em operações garantidas ajuda a reduzir as perdas esperadas e a conferir maior estabilidade às receitas de crédito.
Mesmo com o lucro trimestral maior, a rentabilidade recuou: o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) ficou em 9,16%, uma queda de 2,7 pontos percentuais em relação a junho de 2025.
Outros números do trimestre incluem receita de prestação de serviços de R$ 7,54 bilhões (+12,9% em 12 meses) e despesas administrativas de R$ 11,44 bilhões (+5,9% em 12 meses).
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via Agência Brasil
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