Brasília, 23/09/2026 — Por Wellton Máximo. O dólar comercial encerrou a quarta-feira em forte alta, pressionado tanto pela apreciação da moeda americana no mercado internacional quanto por fatores domésticos ligados ao cenário eleitoral e pela elevação dos preços do petróleo.
Resumo dos principais indicadores
- Dólar comercial (fechamento): R$ 5,169 (+1,27%);
- Máxima intradiária do dólar: R$ 5,177 (por volta das 14h40);
- Ibovespa: 185.814 pontos (-0,86%);
- Petróleo tipo Brent: US$ 98,12 (+2,84%);
- Petróleo tipo WTI: US$ 92,16 (+1,81%).
Por que o dólar subiu
A moeda americana ganhou força ao longo do pregão local, refletindo o avanço do dólar no exterior. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas importantes, alcançou cerca de 101,090 pontos (+0,54%), patamar próximo às maiores leituras desde julho.
Dados de atividade dos Estados Unidos contribuíram para a movimentação: o índice de gerentes de compras (PMI) subiu para 58,4 em setembro ante 56,0 em agosto, mantendo sinal de expansão. Esse tipo de leitura reforça a expectativa de que os juros nos EUA se mantenham elevados por mais tempo, o que aumenta a atratividade de ativos denominados em dólar e pressionou os rendimentos dos títulos do Tesouro.
No Brasil, novas pesquisas eleitorais também influenciaram o humor dos investidores, contribuindo para a maior demanda por proteção cambial.
Desempenho da bolsa brasileira
Após duas sessões de ganhos, o Ibovespa registrou queda de 0,86%, fechando em 185.814 pontos. O índice oscilou entre 188.772 (máxima) e 185.676 (mínima) durante o dia, com volume financeiro de R$ 29,68 bilhões. Apesar da baixa diária, o Ibovespa acumula alta de 4,73% no mês de setembro.
O principal gatilho para a pressão sobre ativos de risco foi o ambiente externo, marcado pela alta nos rendimentos dos Treasuries, pelos indicadores econômicos robustos nos EUA e pela valorização do petróleo. A incerteza eleitoral local ampliou a cautela entre investidores.
Mercados em Nova York
Wall Street também fechou no vermelho: o Dow Jones caiu 0,68%, para 51.512,42 pontos; o S&P 500 recuou 0,75%, para 7.706,39; e o Nasdaq registrou baixa de 1,13%, aos 26.936,04 pontos. A elevação dos rendimentos dos títulos norte-americanos, com o papel de 10 anos ultrapassando 5% ao ano — um nível não visto desde julho de 2007 —, afetou principalmente ações de tecnologia, mais sensíveis a mudanças nas expectativas de juros.
Além disso, a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã contribuiu para o clima de aversão ao risco.
Petróleo e estoques nos EUA
Os preços do petróleo voltaram a subir após cinco sessões de queda. O Brent avançou 2,84%, para US$ 98,12 por barril, e o WTI subiu 1,81%, para US$ 92,16. A falta de progresso nas negociações entre Washington e Teerã e notícias sobre eventuais restrições às exportações de diesel dos EUA (negadas pela Casa Branca) pressionaram as cotações.
O Departamento de Energia dos Estados Unidos informou aumento de 2,969 milhões de barris nos estoques domésticos na última semana, contrariando a expectativa de queda de 500 mil barris, o que trouxe algum alívio pontual às pressões sobre oferta.
Contexto e perspectiva
Com juros mais altos e rendimentos americanos em elevação, há maior incentivo à migração de capitais para ativos considerados mais seguros, cenário que tende a pressionar moedas de mercados emergentes, incluindo o real. No acumulado do ano, entretanto, o dólar ainda registra queda de 5,83% contra o real.
O mercado seguirá atento às próximas divulgações de dados econômicos nos EUA, à trajetória das cotações do petróleo e à evolução das pesquisas eleitorais no Brasil, fatores que devem continuar a influenciar o câmbio e as bolsas nas próximas sessões.
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via Agência Brasil