Por Iara Balduíno — Brasília, 23/09/2026, 20:58
Organizações de defesa dos direitos das mulheres e movimentos sociais formalizaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma série de denúncias sobre violência política de gênero em ano eleitoral. Segundo dados do TSE, o número de processos relacionados a esse tipo de crime cresceu 11 vezes entre 2022 e 2024.
O documento reúne relatos de agressões ocorridas em diferentes estados: em Pernambuco, uma deputada estadual foi atingida por uma pedra durante atividade de campanha e precisou ser hospitalizada; no Espírito Santo, integrantes da equipe de uma candidata a deputada federal foram alvo de um artefato explosivo; em Minas Gerais, uma postulante recebeu ameaças de estupro nas redes sociais e teve dados de familiares divulgados; e, no Rio de Janeiro, foi registrada ameaça de morte que citou diretamente o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco.
Frente à gravidade dos episódios, os movimentos que organizaram o relatório pedem respostas estatais mais efetivas para prevenir, investigar e punir agressões contra mulheres em exercício ou disputa de cargos eletivos.
Medidas e responsabilização
Gisele Barbieri, coordenadora de Incidência Política da organização Terra de Direitos, afirma que o combate à violência política de gênero passa pela responsabilização dos autores e pelo fim da impunidade, que, na visão dela, estimula novas intimidações.
Representantes das organizações também apontam como prioridades a cooperação das plataformas digitais para remoção de conteúdo abusivo e a realização de campanhas de orientação para que mulheres e suas equipes reconheçam formas de violência política e saibam como denunciar.
Para Larissa Amorim, coordenadora de Programas e Estratégia do Instituto Marielle Franco, ataques que expõem dados pessoais ou ameaçam familiares comprometem o exercício do mandato e, consequentemente, o princípio da representação política da democracia brasileira.
Recorte racial
Uma pesquisa do Instituto Marielle Franco, publicada em 2025, analisou 77 casos de violência política ocorridos entre 2021 e 2025 e aponta que 87% das vítimas eram mulheres negras. O estudo e relatos das entidades indicam que, no recorte racial, as agressões costumam incidir de forma mais violenta sobre o corpo e a imagem das mulheres, com insultos que remetem a comparações degradantes.
Amorim defende a incorporação explícita da perspectiva racial na Lei 14.192/2021 — norma que estabelece medidas para prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher — para qualificar a atuação estatal no enfrentamento combinado de gênero e raça, especialmente em relação a mulheres negras e mulheres trans negras, que têm sido alvos prioritários dessa violência.
As entidades seguem mobilizadas para acompanhar os desdobramentos das denúncias apresentadas ao TSE e pressionam por protocolos de proteção a candidatas, medidas de investigação rápida e articulada entre órgãos de segurança e plataformas digitais.
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via Agencia Brasil