Brasília — Um grupo de 31 parlamentares democratas dos Estados Unidos enviou, em 24 de setembro de 2026, uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, em que acusa a administração do presidente Donald Trump de intervenções destinadas a influenciar o resultado das eleições presidenciais brasileiras de outubro de 2026.
No documento, os congressistas afirmam haver um “esforço coordenado” do governo norte-americano que, segundo eles, ameaça a aliança estratégica entre os dois países e pode enfraquecer a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental pouco antes do pleito.
Entre as ações apontadas pelos democratas estão medidas econômicas e diplomáticas que, na avaliação do grupo, teriam por objetivo favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro, apontado como alinhado ideologicamente ao presidente Trump.
Os parlamentares citam especificamente a imposição de tarifas sobre 125 produtos brasileiros, adotada recentemente pelos Estados Unidos, e afirmam que a política comercial teria relação com a tentativa de evitar uma condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro — que recebeu sentença superior a 27 anos de prisão e cumpre atualmente prisão domiciliar — por suposta tentativa de golpe de Estado.
O grupo também criticou a nomeação de Darren Beattie para um cargo de assessor sênior com atribuições relacionadas ao Brasil. Segundo a carta, Beattie é classificado pelos signatários como um extremista de direita e suposto defensor de ideologias supremacistas; ele tentou visitar Jair Bolsonaro em março, mas teve entrada negada no país.
Os democratas contrastaram a postura atual da gestão Trump com a atuação da administração anterior, que em 2022 havia declarado apoio ao sistema eleitoral brasileiro e reconhecido o resultado das urnas. No texto, alertam que as iniciativas recentes podem minar a confiança no processo eleitoral, fragilizar instituições e prejudicar a relação entre Estados Unidos e Brasil.
Os parlamentares acrescentam que as medidas parecem integrar um padrão mais amplo de interferência eleitoral da atual administração nos processos políticos da América Latina, citando como contextos recentes as eleições na Colômbia e em Honduras e o impacto político das eleições de meio de mandato na Argentina, sob o governo de Javier Milei.
Além de questionarem as ações mencionadas, os signatários pediram explicações formais sobre decisões dos Estados Unidos relacionadas ao Brasil, entre as quais:
- a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes;
- a classificação das facções criminosas Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas; e
- a revogação do visto concedido à embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti.
No encerramento da carta, os parlamentares exigem um compromisso público do governo dos EUA de respeitar o processo eleitoral brasileiro, reconhecer o resultado das urnas e manter relações diplomáticas normais com quem for eleito.
Reação de Brasília
Em pronunciamento na Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania dos povos e criticou tentativas de influência externa em votações nacionais na região. Lula citou episódios recentes em países como Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba ao abordar o que classificou como investidas neocoloniais e divisões do mundo em zonas de influência.
O episódio amplia a tensão diplomática entre Brasília e Washington no período pré-eleitoral, em meio a medidas bilaterais que já vinham suscitando críticas tanto no Brasil quanto no exterior.
Leia também: Amazonas: sete candidatos disputam o governo em 2026; confira nomes e dados do eleitorado
via Agencia Brasil