Morre Zélia Amador de Deus, referência antirracista e professora emérita da UFPA

Morre Zélia Amador de Deus, referência antirracista e professora emérita da UFPA

Ultimas Notícias

Belém (PA), 8 de setembro de 2026 — A professora emérita Zélia Amador de Deus, de 74 anos, morreu nesta terça-feira em Belém. Reconhecida como uma das maiores referências do movimento negro na Amazônia, Zélia era pesquisadora em ciências sociais e ativista histórica na defesa dos direitos raciais e das comunidades quilombolas.

Atuação e legado

Foi uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) e dedicou a carreira à ampliação do acesso e da permanência de grupos historicamente excluídos no ensino superior. Entre suas batalhas estão a defesa das cotas raciais, a criação de processos seletivos especiais para quilombolas e o reconhecimento dos saberes tradicionais.

Zélia exerceu o cargo de vice-reitora da Universidade Federal do Pará (UFPA) entre 1993 e 1997. Em 2019, a instituição concedeu-lhe o título de professora emérita por sua contribuição às Antropologia e às Ciências Sociais, além de sua atuação em variados saberes acadêmicos e ancestrais.

Homenagem recente

No dia 18 de agosto de 2026, a UFPA realizou uma homenagem à professora com o plantio de um baobá no campus. Na ocasião, Zélia emocionou participantes ao registrar a importância da árvore como símbolo de ancestralidade e memória, enfatizando a ligação com povos africanos e a herança cultural que orientou sua trajetória.

Reações

Autoridades acadêmicas e lideranças do movimento negro destacaram sua importância. O reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva, afirmou que Zélia foi uma referência que, apesar do destaque público, manteve relações de afeto e cuidado com as pessoas. A historiadora Janira Sodré, fundadora do Instituto Pretas e secretária executiva da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), lembrou que Zélia foi insurgente e ajudou a direcionar o olhar sobre o país, valorizando o protagonismo das mulheres da Amazônia Negra.

O pesquisador em educação Jonas Pinheiro ressaltou que Zélia teve papel decisivo nas políticas afirmativas e na valorização dos saberes tradicionais, abrindo caminhos para quilombolas, indígenas e outros povos tradicionais ocuparem e permanecerem na UFPA. A cantora Gaby Amarantos também manifestou sua gratidão e reconhecimento às contribuições da professora.

Origem e trajetória de vida

Zélia nasceu em 1951 em uma fazenda de gado em Soure, na Ilha do Marajó. Filha de mãe solteira de 15 anos, mudou-se com a família para a periferia de Belém. A mãe passou a trabalhar como empregada doméstica; o avô, que havia sido vaqueiro no Marajó, tornou-se operário na construção civil; e a avó trabalhou lavando roupa para terceiros. Em entrevistas e homenagens, a UFPA registrou que Zélia estudou em escolas públicas e vivenciou episódios de racismo por causa da cor da pele e do cabelo, relatos que moldaram sua trajetória de militância.

Zélia costumava afirmar que aprendeu com a avó a não baixar a cabeça e a afirmar sua presença em qualquer espaço, postura que orientou sua atuação acadêmica e política ao longo de décadas.

Foto

Crédito da imagem: Heloísa Torres/UFPA

Nota: As informações sobre falecimento, trajetória acadêmica e homenagens foram confirmadas por registros institucionais da UFPA e declarações públicas de lideranças acadêmicas e do movimento negro.

Leia também: Fluminense vence Platense por 2 a 0 no Maracanã e leva vantagem para a volta das quartas da Libertadores

via Agência Brasil

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *