Brasil busca status de parceiro pleno da Asean em visita a Singapura e Tailândia

Brasil busca status de parceiro pleno da Asean em visita a Singapura e Tailândia

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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, realizou entre 7 e 10 de setembro uma visita oficial a Singapura e à Tailândia com a dupla finalidade de negociar a reabertura do mercado tailandês à carne brasileira — fechado em 2024 — e avançar nas conversas para que o Brasil seja reconhecido como Parceiro de Diálogo Pleno da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).

Objetivo: upgrade no relacionamento com a Asean

Desde 2022 o Brasil tem o status de parceiro de diálogo setorial junto à Asean. A troca de status para Parceiro de Diálogo Pleno permitiria aprofundar cooperação política e econômica com os 11 estados-membros do bloco, que atualmente constituem o quinto maior parceiro comercial do Brasil, atrás de China, União Europeia, Estados Unidos e Mercosul.

Atualmente apenas 12 países ou blocos têm o status de parceiro pleno da Asean: Estados Unidos, União Europeia, Japão, Índia, China, Canadá, Rússia, Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Turquia e Nações Unidas. Nenhum deles é da América Latina.

O governo brasileiro considera possível obter a elevação de status já na cúpula da Asean, prevista entre 10 e 12 de novembro nas Filipinas, ou a partir de janeiro de 2027, quando Singapura assume a presidência do bloco.

Dados do comércio e contexto estratégico

O comércio entre Brasil e países da Asean cresceu de forma expressiva nas últimas décadas: entre 2003 e 2025 houve um salto de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões — um aumento de dez vezes, correspondente a uma taxa média anual de cerca de 12%.

Entre 2023 e 2025, as exportações brasileiras para os cinco maiores mercados da Asean (Singapura, Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia) somaram US$ 68,5 bilhões, montante equivalente ao exportado para cinco parceiros tradicionais do G7 (Alemanha, Itália, Reino Unido, Japão e França) no mesmo período. Com esses países da Asean o Brasil registrou superávit comercial de US$ 36 bilhões; com os cinco parceiros do G7 citados houve déficit de US$ 36,6 bilhões.

Em meio a esforços de diversificação da pauta comercial e a medidas protecionistas em outros mercados, o governo aposta que o estreitamento de laços com o Sudeste Asiático pode ampliar alternativas para as exportações brasileiras.

Singapura: início da missão e encontros empresariais

O giro do chanceler começou por Singapura, onde ele foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores Vivian Balakrishnan. Em uma agenda que incluiu um encontro com cerca de 20 representantes do setor privado, Vieira defendeu publicamente a candidatura do Brasil a parceiro pleno da Asean e ressaltou que o país não pretende ter de escolher entre atores globais, mas manter relações abertas com diferentes regiões.

Singapura é hoje o segundo maior parceiro comercial do Brasil na Ásia e o principal dentro da Asean, com um fluxo comercial de US$ 10,7 bilhões em 2025 — crescimento de 23% em relação a 2024. Em agosto começou a vigorar a parceria de livre comércio entre Mercosul e Singapura, apontada pelo ministério como fator que deve reforçar os laços bilaterais.

No país-sede do primeiro trecho da visita, Vieira também tratou de agenda ambiental com a ministra do Meio Ambiente de Singapura, Grace Fu, e discutiu pontos da agenda geopolítica regional.

Tailândia: comércio, segurança e direitos consulares

Após Singapura, o ministro seguiu para a Tailândia, onde esteve em Bangkok entre 8 e 10 de setembro. Lá, reuniu-se com autoridades, incluindo o vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, Sihasak Phuangketkeow, além de representantes do setor privado.

O Itamaraty sinalizou a intenção de aprofundar a cooperação bilateral em comércio e investimentos, ciência, tecnologia e inovação, segurança alimentar e combate ao crime organizado transnacional — com foco em tráfico de pessoas e fraudes cibernéticas. A chanceleria também destacou o diálogo consular com autoridades tailandesas, que tem sido relevante em casos de resgate e assistência a trabalhadores brasileiros.

Nos últimos meses foram registrados episódios de brasileiros atraídos por ofertas de emprego no Sudeste Asiático e submetidos a condições análogas à escravidão, um tema que tem estado na pauta diplomática e consular.

Em 2025, o intercâmbio comercial entre Brasil e Tailândia totalizou US$ 5,7 bilhões. A Tailândia tem mais de 71 milhões de habitantes e extensão territorial semelhante ao estado da Bahia.

Durante a estada, o ministro publicou um artigo no Bangkok Post no qual defendeu maior cooperação entre América Latina e Sudeste Asiático como forma de ampliar autonomia e dar voz ao Sul Global diante de tensões geopolíticas.

Próximos passos

Além das conversas bilaterais, a missão do ministro antecede a participação do Brasil em fóruns multilaterais relevantes, como a cúpula do Brics na Índia. A diplomacia brasileira busca consolidar parcerias na região e aproveitar avanços comerciais recentes para ampliar o protagonismo econômico do país na Ásia.

Países-membros da Asean

  • Indonésia
  • Malásia
  • Filipinas
  • Singapura
  • Tailândia
  • Vietnã
  • Timor-Leste
  • Mianmar
  • Brunei
  • Camboja
  • Laos

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via Agência Brasil

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