Andrei Rodrigues diz ao STF que relatórios da PF foram regulares e não configuraram monitoramento de Mendonça

Andrei Rodrigues diz ao STF que relatórios da PF foram regulares e não configuraram monitoramento de Mendonça

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Brasília — O diretor‑geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou em manifestação enviada nesta sexta‑feira (11) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que os relatórios de inteligência produzidos pela corporação e remetidos à Corte por determinação do ministro Alexandre de Moraes foram elaborados de forma regular e não constituíram vigilância ilegal de autoridades.

Na peça de defesa, Rodrigues disse que sua atuação se limitou ao cumprimento de ordens judiciais e pediu que seja rejeitado o afastamento preventivo do cargo, determinado pelo ministro André Mendonça no último dia 9.

O diretor sustentou que os documentos questionados não decorrem de medidas de vigilância, coleta clandestina de dados ou outras ações invasivas, lembrando que a autoria dos relatórios é institucional e que a omissão de nomes de analistas visa proteger profissionais de inteligência, conforme o Decreto nº 8.793/2016.

Na decisão de 9 de setembro, André Mendonça — relator do caso Banco Master no STF — afastou preventivamente Andrei Rodrigues e o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada, alegando irregularidades na confecção dos relatórios e um possível monitoramento ilegal do próprio ministro. As medidas provocaram uma sequência de manifestações judiciais e administrativas e reação interna na corporação.

O governo, por meio da Advocacia‑Geral da União (AGU), requereu a manutenção de Andrei Rodrigues no cargo, argumentando que o afastamento judicial de chefe de uma das principais estruturas da PF interfere nas competências constitucionais do presidente da República e pode prejudicar a organização administrativa e a cadeia de comando da instituição. A AGU classificou a direção‑geral e a diretoria de Inteligência como parte do “núcleo de direção estratégica” da Polícia Federal.

Rodrigues também contestou a legitimidade do Partido Novo para pedir, diretamente ao Judiciário, a aplicação de medida cautelar contra pessoa determinada. Segundo sua defesa, a legenda poderia noticiar eventual crime às autoridades policiais, mas não teria legitimidade para requerer afastamento judicial do diretor‑geral.

O episódio integra um conflito entre ministros do STF que escalou após André Mendonça tornar pública, na semana passada, cópia de relatório da PF com mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro que mencionariam o ministro Alexandre de Moraes e o procurador‑geral da República, Paulo Gonet. Vorcaro é ex‑dono do Banco Master e alvo da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes bilionárias na instituição.

Em reação às revelações, Alexandre de Moraes encaminhou pedido de abertura de investigação contra Mendonça, sustentando a existência de indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade relacionados à condução de peças processuais sobre descontos indevidos no INSS e fraudes envolvendo o Banco Master. Em contrapartida, Mendonça havia fundamentado o afastamento do diretor‑geral com base nos relatórios da PF, que ele considerou apócrifos — caracterização que Rodrigues refutou na sua defesa.

As decisões judiciais sobre o caso se sucederam: após o afastamento ordenado por Mendonça, a Advocacia‑Geral da União pediu a suspensão da medida a Edson Fachin; o ministro Flávio Dino determinou, na manhã de quarta‑feira (9), a reintegração de Rodrigues e Almada alegando falta de legitimidade do Partido Novo e risco às investigações; posteriormente, Fachin proferiu decisão que também interferiu no desenrolar processual e no status dos diretores.

Fachin concedeu prazo de 48 horas para que Andrei Rodrigues apresentasse sua defesa. Após análise da manifestação, o presidente do STF deverá decidir se o diretor‑geral permanecerá no comando da Polícia Federal.

Leia também: Gilmar Mendes pede adiamento de sessão do STF que pode levar Alexandre de Moraes a investigação

via Agência Brasil

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