Por Wellton Máximo, repórter — Brasília, 12/09/2026 — 10:36
Os empregados da Caixa Econômica Federal rejeitaram a proposta final apresentada pela direção do banco e decidiram manter a greve nacional iniciada na quinta-feira, 10 de setembro. A paralisação vai seguir por prazo indeterminado enquanto as entidades sindicais tentam retomar as negociações com a instituição.
Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 68% dos participantes votaram contra o texto durante assembleia que terminou às 23h de sexta-feira, 11 de setembro.
Motivo do impasse
O principal ponto de divergência é o Saúde Caixa, o plano de assistência médica dos empregados. A proposta do banco incluía alterações no custeio e regras de coparticipação que foram consideradas inaceitáveis por parte das representações sindicais.
Possibilidade de ação na Justiça
A Caixa informou que a proposta apresentada era a final e que, se rejeitada, poderia recorrer à Justiça do Trabalho. O banco sinalizou que estuda a possibilidade de ingressar com um dissídio coletivo — procedimento pelo qual a Justiça do Trabalho pode fixar condições para resolver um conflito coletivo entre trabalhadores e empregador.
Apesar da notificação sobre o possível recurso judicial, a instituição afirmou que mantém o canal de diálogo aberto com as entidades representativas e que busca um entendimento.
Como começou a paralisação
A greve teve início em 10 de setembro, depois que os trabalhadores também rejeitaram uma proposta anterior para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), mais de 90% das bases sindicais recusaram o texto anterior.
Agências amanheceram fechadas em estados como São Paulo e Paraná, entre outras regiões. Os caixas eletrônicos seguiram disponíveis ao público.
Principais pontos da proposta rejeitada
- Prêmio de R$ 3.000 por empregado;
- Pagamento, em 18 de setembro, do salário reajustado, da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), do Super Caixa e do prêmio;
- Aumento do limite de participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa de 6,5% para 8%;
- Antecipação da parcela da Caixa referente à 13ª mensalidade de 2028, 2029 e 2030;
- Pagamento de valores relativos ao PAMS a partir de 2027;
- R$ 236 milhões destinados a ações de prevenção à saúde a partir de janeiro de 2027;
- Criação de grupos de trabalho para discutir eficiência do plano e novas fontes de financiamento.
A validade da proposta expirou em 11 de setembro.
Alterações propostas para o Saúde Caixa
- Contribuição dos empregados entre 2,3% e 4,1% sobre o salário-base, conforme faixa etária;
- Cobrança de R$ 480 a R$ 660 por dependente, de acordo com a idade;
- Aumento do teto anual de coparticipação de R$ 3.600 para R$ 4.800 por grupo familiar;
- Limite de 9% para o custo do grupo familiar;
- Instituição de um piso de R$ 50 por beneficiário;
- Cobrança em 13 mensalidades;
- Aumento do valor da consulta em pronto-socorro, fora do teto, de R$ 75 para R$ 150;
- Isenção de coparticipação em atendimentos por telemedicina;
- Recadastramento anual obrigatório.
A proposta também previa uma janela de 90 dias para adesão de titulares atualmente fora do plano; após eventual cancelamento, não seria possível retornar ao Saúde Caixa, segundo o texto apresentado pelo banco.
Atendimento aos clientes durante a greve
A Caixa orientou clientes a priorizar canais digitais e remotos enquanto durar a paralisação. Entre as opções disponíveis estão:
- Aplicativo Caixa;
- Internet Banking;
- WhatsApp Caixa;
- Caixa Tem;
- Apps específicos (Cartões Caixa, Habitação Caixa, DPVAT e FGTS);
- Caixas eletrônicos e rede Banco24Horas;
- Lotéricas e correspondentes Caixa Aqui.
O atendimento telefônico permanece disponível pelo Alô Caixa: 4004-0104 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800-104-0104 (demais localidades).
Situação no Banco do Brasil
A situação difere no Banco do Brasil: na maior parte das bases sindicais a categoria aprovou a proposta apresentada pela instituição e trabalhou normalmente na sexta-feira, 11 de setembro. Ainda assim, o movimento segue em 18 bases sindicais onde a paralisação não foi encerrada.
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via Agência Brasil