Fachin pede serenidade ao STF ao abrir sessão sobre investigação contra Alexandre de Moraes

Fachin pede serenidade ao STF ao abrir sessão sobre investigação contra Alexandre de Moraes

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Por Felipe Pontes

Publicado em 15/09/2026 – 11:20 | Brasília

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, convocou nesta terça‑feira (15) uma sessão extraordinária para deliberar sobre a abertura de uma investigação criminal envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e pediu aos colegas que afastem disputas pessoais e atuem com equilíbrio, serenidade e responsabilidade.

“Não se julgam pessoas; julgam-se fatos e questões jurídicas. Não se antecipa o mérito antes de resolvida a validade processual. A divergência é legítima; o confronto pessoal não. E a decisão pertence ao Plenário, não a um ministro individualmente.”

O caso e a convocação

O plenário analisa relatório da Polícia Federal que associa Alexandre de Moraes ao ex‑banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do antigo Banco Master. É a primeira vez na história do tribunal que o STF decide se instaura investigação criminal contra um de seus ministros. A sessão extraordinária foi marcada pelo próprio presidente da Corte, Edson Fachin.

Em discurso de abertura, Fachin afirmou que a decisão de convocar a sessão não foi fácil e afirmou a prioridade de preservar a instituição acima de laços pessoais. Ao citar trechos das trajetórias dos ministros e lembrar magistrados aposentados, o presidente enfatizou a importância de manter a memória e o prestígio do Tribunal.

“Não temos o direito de entregar às gerações futuras um Supremo Tribunal Federal menor do que aquele que recebemos”, disse Fachin, acrescentando que cabe à presidência «fazer com que o Supremo permaneça sendo um tribunal».

Rito do julgamento

Fachin, que também é o relator do pedido da Procuradoria‑Geral da República (PGR) para anular o documento da Polícia Federal que cita Moraes, iniciou a sessão com a leitura do relatório.

  • Após a leitura, a palavra será dada ao procurador‑geral da República, Paulo Gonet;
  • Em seguida ocorrerão as sustentações orais das partes envolvidas;
  • Não está confirmado se Alexandre de Moraes fará uso da palavra em defesa própria;
  • Por fim, Fachin deverá proferir seu voto como relator e, na sequência, os demais ministros votarão em ordem de antiguidade.

Contexto e antecedentes

O relatório parcial da PF veio a público em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça levantou o sigilo sobre o documento. Nele constariam 52 mensagens que a investigação atribui a Daniel Vorcaro e que teriam sido enviadas a Alexandre de Moraes, sugerindo relação de proximidade entre os dois.

As mensagens foram produzidas no curso da Operação Compliance Zero, que investiga corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas por Vorcaro.

A PGR contesta a validade do documento e a forma como o assunto foi tratado por Mendonça, argumentando que permitir o prosseguimento das apurações envolvendo um ministro do STF sem comunicar a presidência da Corte ou o Plenário configuraria irregularidade. O órgão também aponta possíveis direcionamentos nas decisões do relator. O nome do procurador‑geral aparece, segundo a PF, entre as mensagens atribuídas a Vorcaro.

A sessão segue em andamento no Supremo, com transmissão pública do julgamento.

Leia também: Marques se declara impedido e Toffoli se declara suspeito em sessão do STF sobre relatório que liga Moraes a Vorcaro

via Agência Brasil

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